Tomar um banho mais rápido nem sempre depende apenas do tempo que você passa debaixo do chuveiro. Um novo estudo indica que alguns hábitos aparentemente inofensivos podem aumentar significativamente o consumo de água, tornando o banho mais longo e menos eficiente.
Pesquisadores da Universidade de Surrey, no Reino Unido, analisaram os hábitos de centenas de famílias na Alemanha e descobriram que o comportamento das pessoas influencia muito mais o gasto de água do que fatores como gênero, renda ou composição familiar.
Os resultados foram publicados no periódico Journal of Environmental Management.
O que realmente faz um banho durar mais
Os pesquisadores acompanharam 319 residências alemãs equipadas com sensores inteligentes capazes de registrar como e quando os moradores tomavam banho.
Além dos dados coletados automaticamente, os participantes respondiam questionários logo após cada banho.
Ao todo, foram analisados 8.550 banhos durante um único inverno.
Após cruzar todas as informações, a equipe concluiu que fatores como gênero, situação profissional, número de moradores da casa e até quem pagava a conta de água tiveram pouca influência sobre a duração do banho.
O que realmente fez diferença foram os hábitos adotados durante o banho.
Passar shampoo várias vezes aumenta bastante o consumo
Um dos fatores que mais prolongaram o banho foi a quantidade de aplicações de shampoo.
Segundo o estudo, banhos em que o shampoo era aplicado duas ou mais vezes duraram, em média, 27% mais do que aqueles com apenas uma aplicação.
Outro comportamento associado ao aumento do consumo foi fechar e abrir o chuveiro repetidamente.
Quando os participantes interrompiam o fluxo de água três ou mais vezes durante o banho, o tempo total aumentava cerca de 20% em comparação com banhos sem interrupções.
Idade e qualidade da água também influenciam
Os pesquisadores também identificaram outros fatores que podem alterar a duração do banho.
Pessoas com menos de 50 anos tendem a permanecer mais tempo no chuveiro.
Além disso, moradores de regiões com água mais macia também apresentaram banhos cerca de 23% mais longos do que aqueles que vivem em locais com água mais dura.
Embora esses fatores tenham influência, eles foram menos determinantes do que os próprios hábitos adotados durante o banho.
Pequenas mudanças podem reduzir o desperdício
Segundo Pablo Pereira-Doel, pesquisador do Instituto para Sustentabilidade da Universidade de Surrey e um dos autores do estudo, reduzir o consumo de água depende muito mais da forma como as pessoas utilizam o chuveiro do que de características pessoais.
Para ele, incentivar mudanças simples de comportamento pode gerar resultados significativos sem comprometer o conforto.
Entre as estratégias sugeridas estão reduzir o número de produtos utilizados durante o banho, oferecer informações em tempo real sobre o consumo de água e desenvolver produtos que incentivem hábitos mais eficientes.
O banho representa boa parte do consumo doméstico
Os pesquisadores lembram que banhos e duchas estão entre os maiores responsáveis pelo consumo de água dentro das residências.
Estudos citados pela equipe indicam que eles representam entre 25% e 40% de toda a água utilizada em ambientes internos.
Por isso, pequenas mudanças de comportamento, quando adotadas por milhões de pessoas, podem gerar uma economia significativa tanto para os consumidores quanto para os recursos hídricos.