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Ciência

O mapa que quer corrigir a história: a proposta de mostrar a Terra em ‘tamanho real’

Durante séculos, aprendemos geografia a partir de mapas que distorciam as proporções dos continentes. África, apesar de ser a segunda maior, sempre apareceu diminuída em relação à Europa e à América do Norte. Agora, uma nova cartografia propõe corrigir essa desigualdade histórica — e já conta com apoio político de peso.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Uma proposta cartográfica inovadora busca reposicionar a forma como representamos o planeta. Ao contrário das projeções tradicionais, ela oferece dimensões reais e iguais para todos os continentes. O impacto vai além da estética: trata-se de uma mudança cultural, política e educativa que pode transformar como as futuras gerações enxergam o mundo.

Os mapas são mais do que simples representações do espaço: moldam nossa percepção sobre poder, território e identidade. A projeção de Mercator, usada por séculos, ampliou o tamanho de regiões próximas aos polos e reduziu drasticamente áreas como África e América do Sul. Agora, Equal Earth surge como alternativa mais justa e precisa, propondo um planeta em “tamanho real” e levantando debates sobre geopolítica, educação e cultura.

Equal Earth: uma ruptura com a tradição

Criada em 2018 pelos cartógrafos Bojan Šavrič, Tom Patterson e Bernhard Jenny, a projeção Equal Earth nasceu com o objetivo de mostrar os países de acordo com sua verdadeira superfície. Diferentemente de Mercator — que exagera em altas latitudes —, Equal Earth devolve a proporcionalidade a continentes historicamente invisibilizados. A União Africana abraçou a iniciativa e impulsiona a campanha Correct the Map, que busca difundir essa nova forma de enxergar o planeta.

Uma cartografia aberta e acessível

Um dos pontos mais relevantes da Equal Earth é ser totalmente de domínio público. Isso permite que qualquer pessoa a reproduza, modifique ou comercialize. Construído a partir de dados do Natural Earth, da CIA e do GEOnet, o mapa inclui mais de 2.600 topônimos e representa até regiões em disputa, como Crimeia e Saara Ocidental. Há versões centradas em diferentes áreas do globo, disponíveis em formatos como JPEG e SVG, em vários idiomas, incluindo o português. Também pode ser impresso em grandes dimensões, chegando a 140 × 74 cm com altíssima resolução.

Cartografia Aberta
© Unsplash – Louis Reed

A campanha para corrigir a visão global

Mais do que um recurso visual, Equal Earth é uma ferramenta política e cultural. A campanha Correct the Map pretende que instituições internacionais, como a ONU e o Banco Mundial, adotem essa projeção. A ideia é que escolas e organismos globais ensinem geografia com base em proporções reais, sem reduzir continentes inteiros.

Um debate além da cartografia

Equal Earth não se limita à estética: questiona séculos de hegemonia cultural e as narrativas construídas sobre quem é “grande” ou “pequeno” no mundo. Ao oferecer um mapa mais fiel, propõe também um olhar mais equilibrado e justo sobre nossa própria existência coletiva no planeta.

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