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Ciência

O mundo deve ultrapassar 1,5 °C de aquecimento, mas nossas decisões ainda podem limitar os danos

Relatório da ONU aponta que a ação climática insuficiente tornou inevitável superar esse patamar. A intensidade do aquecimento e o tempo acima do limite, porém, ainda dependem da velocidade de redução das emissões.
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O futuro climático do planeta não está definido, mesmo diante de uma perspectiva cada vez mais preocupante. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o mundo perdeu a oportunidade de limitar o aquecimento a 1,5 °C sem uma ultrapassagem relevante. Isso não torna inúteis os esforços para reduzir emissões. Ao contrário: as escolhas atuais determinarão quanto a temperatura poderá subir, por quanto tempo permanecerá elevada e quais danos ainda será possível evitar.

Ultrapassar 1,5 °C não significa que todos os cenários são iguais

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© 愚木混株 Yumu – Unsplash

O Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2026, intitulado The Point of Return, apresenta um alerta sobre o atraso na resposta global. Décadas de cortes insuficientes nas emissões tornaram inevitável ultrapassar 1,5 °C nas médias de temperatura de longo prazo.

Entretanto, esse patamar não funciona como um interruptor que transforma todos os riscos de uma só vez. Cada fração adicional de aquecimento aumenta as ameaças, assim como cada ano passado acima desse nível.

O documento destaca riscos de mudanças irreversíveis nas camadas de gelo, no solo permanentemente congelado, na circulação oceânica e nos recifes de coral. Por isso, limitar a intensidade e a duração da ultrapassagem continua sendo essencial.

Um ano muito quente é diferente de uma mudança duradoura

O limite do Acordo de Paris se refere ao aumento da temperatura média global em relação ao período pré-industrial. Ele considera uma tendência de longo prazo, e não o resultado isolado de um mês ou ano.

Como explica a ONU sobre o significado do limite de 1,5 °C, oscilações naturais podem elevar ou reduzir temporariamente as temperaturas. Entre os fatores envolvidos estão El Niño, La Niña e erupções vulcânicas.

Assim, um ano acima de 1,5 °C não equivale, sozinho, ao descumprimento definitivo da meta climática. A preocupação do novo relatório envolve a trajetória persistente do aquecimento, medida ao longo de décadas.

As emissões ainda não mostram uma queda consolidada

178 Gigantes Dos Combustíveis Fósseis Já Garantiram Séculos De Aquecimento Global
© iStock

Segundo os dados apresentados pela Meteored, as emissões globais chegaram a aproximadamente 58,4 bilhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2025. Essa unidade permite reunir diferentes gases de efeito estufa conforme seu impacto climático.

A estimativa representa uma pequena redução em relação a 2024, mas a margem de incerteza impede afirmar que o mundo alcançou um pico. Além disso, as emissões associadas aos combustíveis fósseis continuaram aumentando.

As projeções também mostram a distância entre os compromissos e a ação necessária. Com as políticas atuais, o aquecimento poderia alcançar cerca de 2,8 °C até 2100. O cumprimento das metas nacionais reduziria a projeção para aproximadamente 2,6 °C. São cenários condicionados às decisões futuras, e não temperaturas já determinadas. 

Voltar ao patamar exige cortes profundos

O PNUMA avalia uma trajetória que limitaria o pico de aquecimento a aproximadamente 1,7–1,8 °C e permitiria retornar a 1,5 °C ou menos até 2100, com cerca de 50% de chance.

Esse caminho exigiria reduzir as emissões globais em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, tomando 2025 como referência. Também dependeria de remover grandes quantidades de CO₂ da atmosfera. A possibilidade de retorno, portanto, exige transformações profundas e não representa uma garantia.

O avanço das renováveis precisa virar redução de emissões

A avaliação divulgada pelas Nações Unidas destaca avanços desde o Acordo de Paris. As energias renováveis cresceram, e políticas climáticas já contribuíram para reduzir emissões em diferentes lugares.

Ainda assim, ampliar a oferta de energia limpa precisa acompanhar a redução do uso de combustíveis fósseis e o combate ao desmatamento. Adiar essas mudanças aumenta o esforço necessário depois.

O alerta sobre 1,5 °C não elimina a diferença entre agir agora e continuar emitindo. Essa diferença aparece na intensidade das ondas de calor, nos riscos para os ecossistemas e nas condições de vida das próximas gerações.

 

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