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O novo filme de ficção científica com Jenna Ortega acaba de ganhar trailer — e ele esconde uma estreia que muita gente não percebeu

Uma distopia sobre solidão, tecnologia e laços artificiais acaba de ganhar seu primeiro trailer. No centro da história, uma estrela em ascensão, um diretor premiado e uma estreia cercada de curiosidade.
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Tempo de leitura: 4 minutos

A ficção científica adora imaginar futuros dominados por máquinas, desigualdade e relações humanas cada vez mais frágeis. Mas, de vez em quando, surge um projeto que usa esse cenário não para falar de explosões ou guerras, e sim de afeto, luto e isolamento. É exatamente esse o caminho de Klara and the Sun, adaptação de um romance consagrado que acaba de divulgar suas primeiras imagens e que chega aos cinemas carregando mais de um motivo para chamar atenção.

Uma distopia sobre afeto artificial, solidão e divisões sociais

O primeiro trailer de Klara and the Sun já dá uma boa pista do tipo de história que o público pode esperar: um futuro melancólico, elegante e desconfortável, em que os avanços tecnológicos não aproximaram as pessoas, mas ajudaram a aprofundar as diferenças entre elas. Nesse mundo, os humanos vivem mais isolados, a desigualdade foi reorganizada em novas camadas sociais e a convivência passou a depender, em muitos casos, de companhias artificiais.

É nesse cenário que surge Klara, uma androide criada para oferecer amizade, companhia e apoio emocional. Só que a proposta da história vai além da ideia de um robô programado para agradar. A trama acompanha a relação construída entre essa ginoide e Josie, uma adolescente marcada por uma perda importante e por uma vida atravessada por fragilidades. A partir desse vínculo, a narrativa começa a explorar temas que já estavam no romance original de Kazuo Ishiguro: o que significa amar, até onde vai a empatia de uma máquina e o que sobra da experiência humana em um mundo cada vez mais mediado pela tecnologia.

A adaptação cinematográfica parte justamente desse contraste. De um lado, uma sociedade futurista em que o progresso técnico parece ter remodelado a vida cotidiana e a posição social das pessoas. De outro, uma história profundamente íntima, construída em torno de carência, conexão e desejo de pertencimento. O trailer aposta nesse equilíbrio ao sugerir uma ficção científica menos barulhenta e mais emocional, interessada em atmosferas, silêncios e olhares do que em cenas grandiosas de ação.

O material também deixa claro que o filme quer se vender como uma obra de prestígio. Não apenas pela origem literária, já que o longa adapta o livro homônimo de Kazuo Ishiguro, vencedor do Nobel de Literatura, mas também pela equipe reunida em torno da produção. A direção é de Taika Waititi, cineasta que já transitou entre o humor, o drama e o blockbuster, e que aqui parece apostar em um registro diferente do que parte do público se acostumou a ver em seus trabalhos mais recentes.

Taika Waititi, Jenna Ortega e uma estreia que chamou atenção antes mesmo do lançamento

Se o universo de Klara and the Sun já seria suficiente para despertar curiosidade, o elenco ajuda a transformar o filme em um dos lançamentos mais observados da temporada. A protagonista é Jenna Ortega, um dos nomes mais fortes da nova geração de Hollywood. Depois de consolidar sua imagem com a série Wandinha e reforçar sua popularidade em produções de terror e fantasia, a atriz agora assume um papel que pode levá-la para um terreno diferente: o de uma ficção científica dramática, introspectiva e centrada em emoções sutis.

No longa, Ortega interpreta Klara, a figura robótica que dá nome à história. A escolha não parece casual. A atriz já mostrou talento para personagens estranhas, deslocadas e emocionalmente ambíguas, e esse repertório pode funcionar bem em uma protagonista que observa os humanos de fora, tenta compreendê-los e, ao mesmo tempo, desenvolve sua própria percepção do mundo. Ao redor dela, o elenco reúne nomes de peso como Amy Adams, Natasha Lyonne e Steve Buscemi, reforçando o ar de produção ambiciosa.

Mas há outro detalhe que colocou o filme no radar antes mesmo da estreia: o longa marca o debut de Aran Murphy no cinema, filho de Cillian Murphy, vencedor do Oscar e um dos atores mais comentados dos últimos anos. Aran integra o elenco vivendo o melhor amigo de Josie e faz em Klara and the Sun sua primeira aparição em um longa-metragem. O interesse em torno dessa estreia é inevitável, tanto pelo sobrenome quanto pelo momento da carreira do pai, que vive uma fase de enorme prestígio internacional.

A direção de Taika Waititi também pesa na curiosidade em torno do projeto. Depois de comandar filmes de perfis muito diferentes, como Thor: Love and Thunder e Next Goal Wins, o cineasta retorna agora a uma adaptação literária com potencial mais dramático. Foi justamente com Jojo Rabbit, lançado em 2019, que ele conquistou o Oscar de melhor roteiro adaptado. A expectativa, portanto, é ver como ele vai lidar com um material menos satírico e mais contemplativo, sustentado por reflexões sobre tecnologia, dor e intimidade.

Nos Estados Unidos, Klara and the Sun chega aos cinemas em outubro deste ano. Em outros mercados, como o espanhol, a data de lançamento ainda não foi oficialmente confirmada. De qualquer forma, o primeiro trailer já cumpre sua missão: apresentar um universo visualmente sedutor, cercado de nomes fortes e baseado em uma história que parece interessada em algo mais inquietante do que apenas imaginar o futuro. O filme quer falar, acima de tudo, sobre o que acontece com os vínculos humanos quando o mundo ao redor se torna frio demais — e talvez seja justamente por isso que ele tenha tanto potencial para ficar na cabeça do público.

[Fonte: Sensacine]

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