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Ciência

O peixe brasileiro que cruzou oceanos e virou indústria na China

Ele nasceu nos rios quentes da Amazônia, virou símbolo da culinária do Norte do Brasil e hoje é criado em escala industrial do outro lado do planeta. O tambaqui, um dos peixes mais emblemáticos do país, cruzou oceanos e passou a integrar sistemas intensivos de aquicultura na Ásia, com destaque para a produção chinesa. Entenda como um peixe amazônico ganhou o mundo — e por que ele se tornou tão valioso.
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Tempo de leitura: 2 minutos

Da Amazônia para o mundo

Nativo da Bacia Amazônica, o tambaqui sempre chamou atenção pelo porte, crescimento rápido e carne saborosa. No Brasil, ele é presença constante em feiras, mercados e pratos tradicionais, como a costela de tambaqui e o peixe assado na brasa.

Mas foi a partir das últimas décadas do século passado que pesquisadores e produtores começaram a olhar para o tambaqui com outros olhos. Estudos mostraram que o peixe reunia características quase ideais para a piscicultura: alta resistência, boa adaptação a diferentes ambientes e excelente conversão alimentar — ou seja, cresce bem consumindo menos ração.

Esse pacote fez com que o peixe brasileiro despertasse interesse fora do país.

Por que a China apostou no tambaqui

A China é hoje a maior produtora de peixes cultivados do mundo e está sempre em busca de espécies eficientes para seus sistemas de aquicultura. Nesse contexto, o tambaqui entrou como uma aposta estratégica.

Levado para a Ásia, o peixe passou a ser criado em viveiros escavados e sistemas altamente controlados, focados em produtividade, padronização e segurança alimentar. Em alguns casos, ele é cultivado em sua forma original; em outros, participa de programas de hibridização, desenvolvidos para atender preferências do mercado local e melhorar ainda mais o desempenho produtivo.

A carne branca, firme e com poucas espinhas ajudou na aceitação entre consumidores asiáticos, acostumados a peixes de cultivo intensivo.

Aquicultura industrial e segurança alimentar

Na China, o tambaqui não é apenas uma curiosidade exótica. Ele faz parte de uma estratégia maior de diversificação da produção aquícola e redução da pressão sobre estoques naturais.

Ao apostar em espécies robustas e eficientes, o país busca garantir proteína animal acessível para uma população enorme, sem depender exclusivamente da pesca extrativa. Nesse cenário, o peixe amazônico se encaixou perfeitamente.

Parte da produção abastece o mercado interno, enquanto outra atende regiões vizinhas, reforçando o papel do tambaqui como um peixe global.

E no Brasil, o que muda?

Enquanto isso, o tambaqui segue sendo um dos peixes mais importantes da piscicultura brasileira, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Ele também é um símbolo cultural e gastronômico, fortemente ligado à identidade amazônica.

O fato de a espécie ser produzida em larga escala no exterior levanta debates importantes: o valor estratégico da biodiversidade brasileira, a necessidade de investir mais em tecnologia local e o potencial de o Brasil liderar, e não apenas fornecer, espécies para o mercado global.

Um peixe amazônico que virou protagonista global

A trajetória do tambaqui mostra como uma espécie nativa pode ultrapassar fronteiras e ganhar escala mundial. Da Amazônia aos tanques asiáticos, ele se tornou exemplo de eficiência produtiva e protagonista da aquicultura moderna.

Mais do que uma curiosidade, essa história é um alerta: a biodiversidade brasileira tem peso real no futuro da alimentação global. A pergunta que fica é se o país vai apenas assistir a esse movimento — ou assumir o protagonismo que seus próprios recursos permitem.

[Fonte: Portal6]

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