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O protesto que parou Guarulhos: por que os servidores dizem não ao reajuste aprovado pela prefeitura

Servidores públicos municipais entraram em greve após considerarem o reajuste salarial aprovado pela gestão insuficiente frente às perdas inflacionárias. A mobilização cresce, a tensão aumenta e os impactos nas escolas e serviços públicos já são sentidos. A cidade virou palco de um impasse que promete novos desdobramentos.
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Guarulhos, na Grande São Paulo, enfrenta um impasse entre a prefeitura e os servidores públicos. O motivo é um reajuste salarial de 2%, aprovado apesar da rejeição da categoria. A greve iniciada no início da semana já afeta unidades de saúde, escolas e outros serviços municipais. Com milhares de trabalhadores mobilizados, o clima é de pressão, resistência e busca por valorização profissional.

Servidores vão às ruas por valorização

Desde a última segunda-feira (12), mais de mil servidores públicos protestam em frente ao Paço Municipal. A paralisação foi motivada pela insatisfação com o reajuste de apenas 2%, sancionado pelo prefeito Lucas Sanches (PL), o que a categoria considera um desrespeito diante das perdas acumuladas pela inflação.

Em assembleia conduzida pelo Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública Municipal de Guarulhos (Stap), os servidores aprovaram a reivindicação de um reajuste de 8%. A prefeitura, no entanto, manteve sua proposta original e encaminhou o projeto à Câmara Municipal, onde foi aprovado. A atitude revoltou a categoria, que também voltou suas críticas aos vereadores que apoiaram o texto.

Durante os protestos, trabalhadores da saúde e da educação relataram não apenas o congelamento salarial, mas também a precarização das condições de trabalho. Professores apontam escassez de materiais básicos nas escolas e falta de uniformes, mesmo após meses do início do ano letivo.

Greve é mantida mesmo após tentativa de barrar movimento

Na tentativa de conter a mobilização, a Prefeitura recorreu ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), solicitando que a greve fosse declarada ilegal e autorizando corte de ponto. A resposta foi negativa. O TJSP considerou a paralisação legítima, desde que respeitados os limites legais, como a manutenção de 70% do efetivo em serviços essenciais.

A decisão fortaleceu o movimento. O presidente do Stap, Pedro Zanotti Filho, afirmou que o direito à greve é constitucional e criticou a postura do Executivo. “Seguiremos firmes por respeito e valorização dos servidores e da população”, disse em nota pública.

A greve é, para muitos trabalhadores, uma reação à invisibilidade enfrentada diariamente. A professora Nery Travessos, concursada desde 2001, relatou que muitos profissionais são rotulados negativamente por lutar por melhores condições. “Dizem que somos vagabundos. Mas eu quero estar na sala de aula, dando uma aula de qualidade. O problema é que sem valorização e com salários defasados, isso se torna cada vez mais difícil.”

Prefeitura alega restrições orçamentárias

A administração de Guarulhos, por sua vez, afirma que a proposta de 2% é o máximo possível diante da atual situação fiscal da cidade. Em nota oficial, a prefeitura informou que os problemas financeiros são herdados da gestão anterior e que o índice respeita os limites legais de responsabilidade fiscal.

Ainda assim, o Executivo diz estar aberto ao diálogo, desde que qualquer eventual mudança seja compatível com o orçamento e a sustentabilidade da máquina pública. Segundo a gestão, um reajuste acima do previsto comprometeria áreas essenciais e poderia gerar penalizações legais à cidade.

Além disso, sobre os benefícios como Vale Alimentação e Cesta Básica, os servidores haviam solicitado aumento de 20%, mas receberam apenas 5,8%. Para a categoria, esse valor reforça a percepção de descaso por parte do governo municipal.

A greve dos servidores de Guarulhos expõe tensões recorrentes no serviço público: orçamento apertado, salários defasados e ausência de diálogo efetivo. Enquanto a prefeitura busca manter o equilíbrio fiscal, os trabalhadores pedem reconhecimento por sua dedicação diária. Resta saber se a pressão popular forçará uma reavaliação — ou se a paralisação continuará a marcar o cotidiano da cidade.

[Fonte: Metrópoles]

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