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Tecnologia

O que a Alemanha está preparando para seus navios de guerra pode mudar sua estratégia militar

Dois lançamentos realizados no Atlântico Norte chamaram atenção para uma capacidade que a Alemanha ainda não possui em seus navios. O teste pode ser apenas o começo de uma mudança importante.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma fragata alemã acaba de testar uma arma que pode mudar o alcance das operações realizadas pela Marinha do país. Os lançamentos ocorreram em águas do Atlântico Norte e terminaram exatamente como os militares esperavam. Mais do que demonstrar que o equipamento funciona, porém, o exercício serviu para avaliar algo maior: a possibilidade de transformar navios alemães em plataformas capazes de atingir alvos terrestres a centenas de quilômetros de distância.

Um teste no Atlântico Norte abriu uma nova possibilidade

Na noite entre 1º e 2 de setembro, a Marinha alemã realizou dois lançamentos durante uma operação de testes em águas localizadas entre a Irlanda e a Islândia.

Os disparos fizeram parte do programa Operational Experimentation, criado para avaliar novas capacidades militares em condições próximas às de uma operação real. A embarcação utilizada foi identificada como a fragata Sachsen-Anhalt, da classe F125.

Nos dois cenários avaliados, os projéteis seguiram as trajetórias planejadas e atingiram os alvos designados. O resultado foi considerado um passo importante porque o sistema não havia sido integrado operacionalmente à frota alemã.

A arma em questão é o Naval LORA, versão naval de um míssil desenvolvido pela empresa israelense Israel Aerospace Industries (IAI).

O comandante da Marinha alemã, Jan Christian Kaack, classificou o teste como um momento histórico e destacou que o alcance potencial do sistema representa algo que os navios alemães ainda não conseguem fazer atualmente.

Depois dos testes, a Marinha indicou que pretende avançar na avaliação para uma possível aquisição.

E é justamente aí que o exercício deixa de ser apenas uma demonstração tecnológica.

O míssil que pode levar ataques muito além da costa

LORA significa Long Range Artillery e é um míssil superfície-superfície de combustível sólido desenvolvido para atingir alvos a grandes distâncias com elevada precisão.

Seu funcionamento é diferente do de um míssil de cruzeiro tradicional. O LORA acelera rapidamente após o lançamento e percorre grande parte do trajeto em uma trajetória balística, podendo realizar correções durante o voo.

A versão terrestre do sistema é associada a alcances de até aproximadamente 430 quilômetros, enquanto informações relacionadas aos testes alemães apontam para uma configuração capaz de superar 500 quilômetros. O sistema utiliza navegação inercial e por satélite, enquanto o fabricante declara precisão na ordem de 10 metros.

A variante naval acrescenta outro elemento estratégico: ela pode ser instalada em navios de superfície.

Isso permitiria que uma embarcação permanecesse distante da costa e, ainda assim, tivesse capacidade de atacar alvos terrestres a centenas de quilômetros.

Para a Alemanha, essa possibilidade é particularmente relevante porque suas forças navais não contam atualmente com mísseis balísticos operacionais dessa categoria.

O país já possui o Taurus KEPD 350, outro armamento de longo alcance, mas ele é lançado por aeronaves. O LORA acrescentaria uma alternativa baseada no mar.

Uma mudança que vai além de um novo míssil

O teste está inserido no programa Marine 2035 and Beyond, que busca preparar a Marinha alemã para cenários de combate mais intensos e acelerar a avaliação de novas tecnologias.

O contexto também pesa. Desde a invasão russa da Ucrânia, a Alemanha vem revisando sua estrutura de defesa, enquanto países europeus procuram recuperar ou ampliar capacidades de ataque de longo alcance.

Ainda assim, é importante separar o teste de uma aquisição definitiva.

As fragatas alemãs não estão equipadas operacionalmente com o Naval LORA. O exercício demonstrou que a integração do sistema ao navio é tecnicamente possível, mas uma eventual compra ainda representa uma etapa posterior.

Se Berlim seguir adiante, a mudança será significativa: seus navios de guerra poderão ganhar uma capacidade que hoje não possuem, permitindo realizar ataques de precisão contra alvos terrestres a centenas de quilômetros sem depender exclusivamente de aeronaves.

Assim, aqueles dois lançamentos no Atlântico Norte podem ter sido muito mais do que um simples teste. Eles podem representar o primeiro passo para uma nova dimensão do poder de fogo naval alemão.

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