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Tecnologia

Sam Altman confirmou o próximo grande passo da OpenAI: ele pode chegar às nossas casas

A empresa responsável pelo ChatGPT prepara um salto para o mundo físico. A ambição vai muito além do software e pode transformar um mercado que já cresce em ritmo acelerado.
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Tempo de leitura: 5 minutos

Durante anos, a grande corrida da inteligência artificial aconteceu dentro de computadores, celulares e enormes centros de dados. Agora, uma nova fronteira começa a ganhar importância: dar um corpo a esses sistemas. Sam Altman acaba de confirmar que a OpenAI pretende entrar diretamente nessa disputa, e sua visão de longo prazo é ambiciosa. Se os planos avançarem, aquilo que hoje parece equipamento de laboratório poderá acabar se tornando algo muito mais pessoal.

A OpenAI decidiu que o software já não é suficiente

Sam Altman confirmou o próximo grande passo da OpenAI: ele pode chegar às nossas casas
© Unsplash

Sam Altman confirmou que a OpenAI pretende desenvolver um robô humanoide, além de máquinas com outros formatos. A declaração ocorreu durante uma participação no podcast Sources, quando o executivo foi questionado sobre os planos da companhia para a robótica.

A resposta elimina uma dúvida importante. A empresa não pretende apenas criar modelos de inteligência artificial capazes de controlar equipamentos fabricados por terceiros. Ela também está se movimentando em direção ao hardware.

Ainda assim, Altman considera que a parte física talvez não seja o maior desafio. Para ele, desenvolver o “cérebro” capaz de fazer uma máquina compreender e interagir de maneira eficiente com o mundo continua sendo o problema fundamental.

A aposta marca uma nova etapa para uma empresa que se tornou conhecida mundialmente pelo ChatGPT. E pode alterar a dinâmica de um setor no qual várias companhias trabalham separadamente: algumas desenvolvem os corpos robóticos, enquanto outras fornecem os modelos de IA.

A OpenAI parece interessada nas duas coisas.

Há um motivo bastante simples para escolher também o formato humano: praticamente tudo ao nosso redor foi projetado para pessoas.

Por que construir uma máquina parecida conosco

Portas, escadas, ferramentas, cozinhas, computadores, veículos e máquinas industriais foram criados considerando dimensões e movimentos humanos.

Para Altman, isso torna o corpo humanoide particularmente interessante. Em vez de modificar completamente casas e fábricas para receber máquinas especializadas, um robô com características semelhantes às nossas poderia, em teoria, utilizar ambientes e equipamentos que já existem.

Imagine uma máquina capaz de abrir uma porta, operar um computador, manipular ferramentas ou realizar determinadas tarefas domésticas sem exigir que toda a infraestrutura ao redor seja redesenhada.

É nesse ponto que aparece a parte mais ambiciosa da visão.

Altman não considera colocar humanoides nas residências a prioridade inicial. Antes disso, a indústria precisa solucionar desafios de fabricação, infraestrutura, confiabilidade e escala. Mesmo assim, o executivo acredita que, no futuro, cada pessoa deveria poder ter seu próprio robô pessoal.

A ideia combina com uma visão mais ampla apresentada pela própria OpenAI. A companhia afirma que uma de suas metas de longo prazo é tornar sistemas avançados de IA amplamente acessíveis, funcionando como ferramentas pessoais capazes de ampliar aquilo que indivíduos conseguem realizar.

Mas transformar essa visão em uma máquina caminhando pela sala de casa é outra história.

As vagas de emprego revelam que o projeto vai além de uma ideia

Os movimentos internos da empresa oferecem pistas sobre a dimensão da aposta.

A OpenAI tinha recentemente 19 vagas relacionadas à robótica em San Francisco, contra 11 quando sua nova iniciativa no setor foi anunciada no fim de maio. Entre os profissionais procurados estavam especialistas em atuadores, componentes fundamentais para produzir os movimentos de braços, pernas e articulações robóticas.

Também apareciam funções relacionadas a firmware, placas eletrônicas, simulações térmicas, prototipagem e gerenciamento de componentes.

Isso sugere uma estratégia bem mais profunda do que simplesmente instalar um modelo de IA em um corpo desenvolvido por outra fabricante.

Existe ainda uma razão estratégica para controlar o hardware.

A OpenAI já encerrou uma iniciativa anterior de robótica em 2021, em parte devido à dificuldade de obter dados suficientes para treinar sistemas capazes de atuar no mundo físico. Robôs próprios podem produzir justamente esse material: informações sobre movimentos, pressão, erros, objetos manipulados e consequências de cada ação.

Em outras palavras, construir o corpo também pode ajudar a melhorar o cérebro.

O maior obstáculo pode estar justamente nas peças

A inteligência artificial avançou rapidamente porque software pode ser distribuído para milhões de usuários quase instantaneamente. Robôs não funcionam assim.

Cada unidade precisa de motores, sensores, engrenagens, baterias, estruturas, chips e sistemas de controle. Depois, tudo precisa ser fabricado em escala com custos suficientemente baixos e níveis de segurança compatíveis com máquinas que trabalharão próximas às pessoas.

A experiência de outras empresas mostra a dificuldade.

A Tesla, por exemplo, enfrenta há anos o desafio de transformar o Optimus em um produto fabricado em grande escala. Elon Musk já classificou a industrialização do humanoide como um dos desafios de fabricação mais difíceis enfrentados pela companhia.

Componentes conhecidos como atuadores representam uma parcela significativa do custo de materiais de um humanoide. A cadeia produtiva também depende fortemente da China para minerais de terras raras e processamento de ímãs utilizados em tecnologias essenciais.

Isso ajuda a explicar por que contratar especialistas nessas áreas pode ser tão importante quanto desenvolver modelos de IA mais inteligentes.

A corrida já começou e a OpenAI está chegando a um mercado movimentado

A companhia de Altman não encontrará um terreno vazio.

Empresas de inteligência artificial e robótica estão experimentando estratégias diferentes. Algumas procuram desenvolver um “cérebro” que possa funcionar em diversos corpos; outras defendem integrar completamente hardware e software.

A Figure AI é um exemplo dessa segunda abordagem. A OpenAI chegou a participar de uma rodada de investimento de US$ 675 milhões na empresa em 2024, mas a colaboração foi encerrada posteriormente, enquanto a Figure avançava em sua própria inteligência artificial para robôs.

Enquanto isso, o mercado acelera. Cerca de 19.100 humanoides foram enviados globalmente somente no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 272% em relação ao mesmo período anterior. Fabricantes chineses responderam por mais de 97% desse volume.

Ainda assim, existe uma diferença enorme entre confirmar um projeto e colocar um robô comercial na casa das pessoas.

A OpenAI não anunciou preço, data de lançamento, volume de produção, parceiro industrial ou sequer apresentou publicamente um protótipo do humanoide.

Por enquanto, portanto, o robô pessoal imaginado por Altman continua sendo uma promessa de longo prazo.

Mas a confirmação muda algo importante: uma das empresas que lideraram a explosão da IA generativa agora quer dar braços, pernas e presença física à tecnologia.

Depois de colocar a inteligência artificial em milhões de telas, a próxima corrida pode ser para descobrir o que acontece quando ela começa a caminhar pelo mesmo mundo que nós.

[Fonte: Infobae]

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