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Ciência

O que a ciência realmente diz sobre os suplementos preferidos de Kennedy Jr.

De tinturas sintéticas a vitaminas em excesso, passando até por leite cru, uma lista de suplementos e terapias alternativas mostra como algumas práticas populares entre figuras públicas carecem de respaldo científico. A polêmica cresce quando recomendações pessoais podem impactar políticas de saúde.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Robert F. Kennedy Jr., atual Secretário de Saúde dos Estados Unidos no segundo governo Trump, tem chamado atenção não apenas por suas decisões políticas, mas também por seus hábitos pessoais. Conhecido por defender terapias alternativas e suplementos questionados pela ciência, ele tornou pública sua adesão a diversas práticas que dividem especialistas. A seguir, uma lista dos principais suplementos e tratamentos que Kennedy utiliza ou recomenda — e o que a ciência realmente diz sobre eles.

Azul de metileno

Kennedy foi visto misturando um líquido azul em água durante um voo, o que levou a especulações de que seria azul de metileno. Trata-se de um corante sintético usado em exames clínicos e no tratamento de uma rara condição sanguínea. Comunidades de medicina alternativa o promovem como cura para doenças como câncer e Alzheimer, mas as evidências científicas são escassas e limitadas a estudos em laboratório ou animais. Não há comprovação de benefícios no funcionamento cerebral.

Testosterona

Kennedy admite fazer terapia de reposição de testosterona como parte de um regime antienvelhecimento. Embora a reposição seja indicada em casos de deficiência clínica, o uso em homens saudáveis após os 60 anos é controverso. A FDA alerta que essa prática pode trazer riscos quando os níveis hormonais estão normais, já que os benefícios não são firmemente comprovados e os efeitos adversos podem superar as vantagens.

Vitaminas em excesso

Em entrevistas, Kennedy afirmou tomar tantos suplementos vitamínicos que mal consegue listar todos. Embora vitaminas sejam essenciais em casos de deficiência, estudos mostram que o consumo indiscriminado raramente traz benefícios adicionais à saúde. Pesquisas recentes não encontraram impacto significativo em doenças cardíacas ou perda de peso. Além disso, suplementos podem conter contaminantes e, em altas doses, causar intoxicações sérias.

Terapia de quelação

Kennedy também defende o uso de drogas de quelação, que removem metais pesados do corpo. O tratamento é aprovado para casos de envenenamento, mas em círculos alternativos é vendido como “purificação” para condições como autismo. A FDA alerta que não há evidências de eficácia para essas indicações e que os riscos podem ser graves, incluindo danos renais e cardíacos.

Óleo de fígado de bacalhau contra o sarampo

Durante um surto de sarampo, Kennedy sugeriu óleo de fígado de bacalhau como alternativa à vacina tríplice viral (MMR). O suplemento é rico em vitamina A, útil para crianças com deficiência nutricional em regiões vulneráveis, mas perigoso em excesso. Médicos relataram casos de intoxicação em crianças que receberam altas doses desnecessárias. A recomendação foi considerada arriscada.

Leite cru

Outro hábito declarado de Kennedy é o consumo de leite cru, não pasteurizado. Ele e outros defensores afirmam que tem melhor sabor e benefícios adicionais, mas os nutrientes são equivalentes aos do leite pasteurizado. O risco, no entanto, é muito maior: o leite cru pode conter bactérias perigosas como Salmonella e Listeria, além de aumentar a exposição a vírus como a gripe aviária.

O que a ciência conclui

Embora alguns desses suplementos tenham aplicações específicas, a ciência é clara: o uso indiscriminado, sem respaldo médico, pode ser ineficaz ou até perigoso. O maior risco surge quando figuras públicas, ao adotá-los, influenciam a população a substituir tratamentos comprovados por soluções sem base científica.

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