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Ciência

O que fazer quando a mente não para: as estratégias de um neurocientista para silenciar pensamentos negativos

Você já foi dominado por uma enxurrada de pensamentos autocríticos que não param? Um renomado neurocientista explica por que isso acontece e como transformar essa voz interna em uma aliada. Descubra ferramentas práticas e cientificamente comprovadas para acalmar a mente e recuperar o controle emocional.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A mente humana é uma excelente conselheira — mas, às vezes, também pode ser uma implacável sabotadora. No podcast de Mel Robbins, o neurocientista Ethan Kross compartilhou técnicas para lidar com o excesso de pensamentos negativos, especialmente a autocrítica intensa. Segundo ele, é possível transformar essa voz interior em um “treinador emocional”, promovendo bem-estar mental e equilíbrio. Conheça o “kit de estratégias” proposto por ele.

 

O diálogo interno: útil, mas perigoso

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© Saravana Sathish Settu – Unsplash

Ethan Kross, professor da Universidade de Michigan e autor do livro Chatter, explica que o diálogo interno — também chamado de self-talk — é uma habilidade natural e multifuncional. Ele nos ajuda a planejar, lembrar tarefas, motivar ações e dar sentido às experiências vividas.

“Essa voz na nossa cabeça é como um canivete suíço: serve tanto para lembrar a lista do supermercado quanto para ajudar você a superar desafios na academia”, exemplifica. Mas, segundo ele, essa ferramenta poderosa se torna um problema quando vira um ruído mental constante e negativo.

 

Quando a mente vira inimiga

Esse excesso de pensamento negativo, que ele chama de chatter, se manifesta de formas muito comuns: ruminação (repetição de erros do passado), preocupação excessiva com o futuro (“e se isso acontecer?”) e autocrítica severa (“como você pôde fazer isso?”).

Esses padrões mentais consomem a energia cognitiva e prejudicam a concentração, os relacionamentos e a saúde emocional. “Todos passamos por isso em algum momento. Só se torna grave quando é persistente e afeta a vida cotidiana”, alerta Kross.

 

O kit de ferramentas mentais

Baseado em décadas de pesquisa, Kross apresentou um conjunto de estratégias eficazes para acalmar a mente e reenquadrar o pensamento. Veja as principais:

 

Escrita expressiva

Segundo o neurocientista, escrever sobre seus sentimentos é uma das ferramentas mais eficazes contra a ansiedade. “Foi a única técnica que, sozinha, reduziu significativamente os níveis de ansiedade em estudos recentes”, disse.

A proposta é simples: escrever, por 15 a 20 minutos, sobre emoções e pensamentos mais profundos relacionados a um problema — sem se preocupar com gramática. Isso organiza a experiência interna e reduz a carga emocional.

 

Viagem mental no tempo

Outro recurso sugerido é o “mental time travel” — projetar-se mentalmente no futuro ou revisitar o passado para ganhar perspectiva.

Perguntar-se “como vou me sentir sobre isso daqui a um ano?” ou lembrar-se de situações difíceis já superadas ajuda a relativizar o problema atual e a recuperar a confiança.

 

Um kit personalizado

Kross enfatiza que não existe fórmula mágica. “Cada pessoa precisa encontrar a combinação certa de ferramentas que funcione para sua personalidade e momento de vida”, afirmou. A chave está em testar diferentes abordagens até descobrir o que realmente ajuda.

 

Como ajudar quem está preso em pensamentos negativos

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© Tim Foster – Unsplash

O neurocientista também ofereceu dicas para quem quer apoiar amigos ou familiares com autocrítica intensa. A recomendação principal: escute e acolha antes de aconselhar.

Se a pessoa não pediu ajuda, vale apostar no “apoio invisível” — gestos sutis que demonstram cuidado, como compartilhar um artigo útil, convidar para uma caminhada ou simplesmente estar presente.

 

A importância de experimentar

No encerramento da entrevista, Kross encorajou o público a explorar as ferramentas disponíveis. “O segredo está em conhecer essas estratégias e começar a experimentar por conta própria. Não se trata de eliminar a voz interior, mas de aprender a usá-la a seu favor”, concluiu.

 

[ Fonte: Infobae ]

 

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