Poucos objetos espaciais despertaram tanta atenção nas últimas décadas quanto o asteroide Apophis. Descoberto em 2004, ele rapidamente virou manchete após cálculos iniciais indicarem uma possibilidade — ainda que pequena — de colisão com a Terra em datas futuras.
Com o avanço das observações astronômicas, a NASA e outras instituições conseguiram refinar sua trajetória orbital e afastaram qualquer risco real de impacto no próximo século. Mesmo assim, Apophis continua sendo tratado como um dos eventos astronômicos mais importantes das próximas décadas por causa de sua aproximação extremamente rara em 2029.
O corpo celeste possui cerca de 340 metros de diâmetro em média, embora seu eixo maior ultrapasse os 450 metros. Em caso de colisão, um objeto desse porte teria potencial suficiente para devastar cidades inteiras.
O que torna Apophis tão especial para os cientistas
In 2029, Apophis, a ~370m asteroid, will pass just ~31,000 km from Earth.
That’s ~1/10 the distance to the Moon.
Inside the orbit of geostationary satellites.
Visible to the naked eye.Impact risk this time is low, but the flyby could shift its future trajectory.
A direct hit… pic.twitter.com/r3tHhVq9cT
— Luis Batalha (@luismbat) April 4, 2026
O grande momento acontecerá em 13 de abril de 2029. Nessa data, Apophis passará a aproximadamente 32 mil quilômetros da superfície terrestre — uma distância menor do que a de muitos satélites geoestacionários.
Na prática, isso significa que o asteroide cruzará o espaço muito próximo da Terra em termos astronômicos. Para pesquisadores, trata-se de uma oportunidade praticamente única de observar um objeto desse tamanho utilizando tecnologias modernas.
Especialistas acreditam que encontros tão próximos envolvendo grandes asteroides acontecem, em média, apenas uma vez a cada milhares de anos.
Além da observação visual, o sobrevoo permitirá analisar em tempo real como a gravidade terrestre influencia corpos rochosos desse tipo.
A gravidade da Terra pode alterar o asteroide
Os cientistas esperam que a aproximação provoque mudanças detectáveis em Apophis.
Segundo estimativas da NASA e de pesquisadores internacionais, a força gravitacional da Terra poderá modificar parcialmente sua rotação e até causar pequenos deslocamentos de material na superfície do asteroide.
Essas alterações interessam muito à comunidade científica porque ajudam a compreender como objetos próximos da Terra reagem a forças externas — algo essencial para futuros sistemas de defesa planetária.
Entender a composição interna e o comportamento estrutural de asteroides também é considerado crucial para eventuais missões de desvio no futuro.
NASA e Europa já preparam missões especiais

O interesse científico em Apophis é tão grande que duas importantes missões espaciais já estão sendo organizadas para acompanhar o evento.
A NASA decidiu redirecionar a histórica missão OSIRIS-REx, responsável pela coleta de amostras do asteroide Bennu. A nave recebeu um novo nome: OSIRIS-APEX. Agora, seu próximo objetivo será estudar Apophis durante e após sua passagem pela Terra.
Já a Agência Espacial Europeia (ESA) trabalha na missão Ramses, que deverá acompanhar o asteroide para observar detalhadamente os efeitos gravitacionais provocados pela aproximação terrestre.
Entre os principais objetivos científicos estão:
- analisar a estrutura interna do asteroide;
- observar possíveis mudanças em sua rotação;
- detectar deslizamentos ou movimentações em sua superfície;
- aprimorar estratégias futuras de defesa planetária.
O fenômeno poderá ser visto da Terra
Outro fator que torna Apophis tão especial é a possibilidade de observação direta. Dependendo das condições climáticas e da localização geográfica, o asteroide poderá ser visto sem telescópios profissionais em várias regiões do hemisfério oriental.
Astrônomos amadores, observatórios e agências espaciais já começam a planejar campanhas globais de monitoramento para o evento.
Nos últimos anos, o interesse por asteroides próximos da Terra cresceu bastante após sucessivas descobertas de objetos monitorados pela NASA e outras instituições internacionais. Ainda assim, Apophis ocupa uma posição única nesse grupo.
Mesmo sem representar ameaça real, sua passagem em 2029 será acompanhada como um dos acontecimentos astronômicos mais importantes do século — não pelo medo de uma colisão, mas pela rara chance de observar tão de perto um objeto capaz de revelar segredos fundamentais sobre a história e os riscos do nosso Sistema Solar.
[ Fonte: El Cronista ]