De coloração intensa e sabor marcante, o chá de hibisco conquistou espaço nas xícaras de muitos brasileiros. Com raízes na Ásia e África, a planta Hibiscus sabdariffa L. chegou ao Brasil durante o período colonial e passou a ser valorizada tanto por suas propriedades nutricionais quanto pelo possível auxílio na saúde. Mas até que ponto os benefícios atribuídos a ele são comprovados?
Os compostos presentes no hibisco

O hibisco utilizado para consumo é o Hibiscus sabdariffa, espécie específica entre mais de 200 variedades conhecidas da planta. Segundo a nutricionista Vanderlí Marchiori, especialista em fitoterapia, essa variedade é rica em polifenóis e antocianinas — compostos com ação antioxidante e anti-inflamatória.
As antocianinas são as responsáveis pela cor avermelhada do chá e têm efeito diurético reconhecido, o que ajuda a justificar seu uso popular como auxiliar na perda de peso. A planta também possui vitamina C, betacaroteno, ácidos fenólicos e flavonoides, como a quercetina, o que amplia seu potencial de atuação no organismo.
Contudo, a pesquisadora Luciana Lopes, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), alerta que nem todos os efeitos são cientificamente comprovados em seres humanos. O uso da planta como auxiliar terapêutico deve ser acompanhado de cautela, já que as doses eficazes nem sempre são seguras ou bem definidas por falta de estudos clínicos sólidos.
Benefícios observados em estudos
Entre os efeitos mais comentados do chá de hibisco está sua capacidade antioxidante. A bebida pode ajudar a combater os radicais livres — moléculas instáveis que aceleram o envelhecimento celular e aumentam o risco de doenças crônicas. Isso se deve à presença de compostos como ácidos cítrico, málico e esteárico, além das próprias antocianinas.
Outro ponto frequentemente citado é a ação diurética. O consumo da bebida parece favorecer a eliminação de líquidos, ajudando a reduzir inchaços e a sensação de retenção. Embora haja estudos que sugerem a ação de flavonoides como a quercetina nesse processo, ainda faltam conclusões definitivas sobre o mecanismo exato.
O chá também vem sendo investigado por sua relação com a regulação da pressão arterial. Pesquisas indicam que ele pode exercer efeito inibidor sobre a enzima conversora de angiotensina (ECA), ligada ao controle da pressão, ou influenciar a produção de óxido nítrico, que atua como vasodilatador. Apesar das evidências preliminares promissoras, o consumo do chá não substitui tratamentos médicos convencionais.
Além disso, há indícios de que a bebida possa colaborar na regulação do colesterol. Alguns estudos mostram aumento nos níveis de HDL (colesterol bom) e queda nos de LDL (colesterol ruim) e triglicerídeos. A ação cardiovascular positiva seria mais um possível efeito dos flavonoides presentes na planta.
Cuidados e limitações no consumo
Apesar de seus atributos, o chá de hibisco não deve ser consumido sem moderação. A ideia de que ele promove emagrecimento, por exemplo, ainda não tem base científica sólida o suficiente para ser tratada como verdade absoluta. A perda de peso observada por alguns pode estar relacionada à perda de líquidos, não necessariamente à queima de gordura.
Além disso, o consumo em excesso pode interferir na pressão arterial de forma indesejada, especialmente em pessoas que já fazem uso de medicamentos para hipertensão. Há também relatos de possíveis efeitos sobre a fertilidade e alterações hormonais, o que torna o uso contínuo desaconselhável para gestantes e pessoas com distúrbios hormonais.
A orientação dos especialistas é clara: o chá de hibisco pode ser um aliado no dia a dia, mas seu consumo deve ser equilibrado e integrado a uma rotina de alimentação saudável, prática de exercícios físicos e acompanhamento médico, quando necessário.
Em resumo, o hibisco carrega um conjunto de propriedades promissoras, mas que ainda estão sendo estudadas. Incorporá-lo com consciência e sem expectativas milagrosas é o melhor caminho para aproveitar o que ele pode oferecer de forma segura e eficaz.
[Fonte: Estadão]