No Brasil, é comum ouvir pessoas preocupadas com os joelhos que rangem ou estalam, especialmente atletas amadores e aqueles que passaram por lesões. A suspeita mais frequente é a de que esse sintoma indique risco de desenvolver artrite ou problemas graves no futuro. Mas uma nova pesquisa realizada na Austrália sugere que, na maioria dos casos, esses estalos não representam uma ameaça à saúde articular.
Estalos sem relação com risco futuro
Cientistas da Universidade La Trobe acompanharam 112 pacientes jovens, com idade média de 28 anos, que passaram por cirurgia de reconstrução do ligamento cruzado anterior (LCA). Durante cinco anos, os pacientes relataram sintomas como dor e crepitação no joelho, além de realizarem exames de ressonância magnética no primeiro e no quinto ano após a cirurgia.
Os resultados mostraram que, embora aqueles com estalos apresentassem mais dor e pior função no primeiro ano, ao longo do tempo não houve diferença significativa em relação aos que não tinham crepitação. Ou seja, o incômodo inicial não se traduziu em maior risco de artrite ou degeneração a longo prazo.
O estalo é mais comum do que parece
A crepitação no joelho é extremamente comum: estima-se que atinja cerca de 41% da população geral. Estudos anteriores indicam que até 36% das pessoas sem dor nos joelhos também percebem esse ruído, o que reforça que, por si só, ele não deve ser visto como sinal de alerta.
Apesar disso, o som é mais frequente em indivíduos com osteoartrite, o que levou médicos a acreditarem que poderia servir como marcador de risco. O novo estudo, no entanto, mostra que não há uma relação direta, pelo menos em pacientes jovens que passaram por cirurgia de LCA.
Quando é preciso se preocupar
De acordo com Jamon Couch, autor principal da pesquisa, os estalos não devem ser ignorados em todos os casos. Se vierem acompanhados de dor persistente, inchaço ou limitação de movimento, é fundamental procurar avaliação médica. Nessas situações, os ruídos podem indicar lesões no cartilagem ou processos inflamatórios que precisam de tratamento.
Para a maioria das pessoas, porém, manter os joelhos ativos continua sendo a melhor forma de preservá-los. Exercícios de fortalecimento muscular, especialmente dos quadríceps e glúteos, ajudam a estabilizar a articulação e reduzir a sobrecarga. Atividades como corrida, ciclismo e caminhada, quando praticadas com moderação, também trazem benefícios para a saúde articular.
Uma boa notícia para atletas e pacientes
Embora quem rompeu o LCA ainda tenha maior risco de desenvolver osteoartrite ao longo da vida, a pesquisa traz uma mensagem tranquilizadora: o estalo do joelho, isoladamente, não é um indicador confiável desse risco. Para corredores, praticantes de esportes ou pessoas em reabilitação, isso significa que ouvir os joelhos não é necessariamente motivo para alarme.
O estudo reforça a importância de observar o corpo de forma integral. Mais do que o som das articulações, é o conjunto de sintomas e hábitos de vida que determina a saúde dos joelhos.