Pular para o conteúdo
Tecnologia

O segredo energético por trás da inteligência artificial que poucas empresas estão contando

Com o crescimento acelerado da IA, a demanda por energia explodiu — e soluções inovadoras, como turbinas subaquáticas e reatores nucleares compactos, estão entrando em cena. Mas será isso suficiente para evitar um apagão tecnológico?
Por

Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial vem revolucionando o modo como empresas operam, desde o atendimento automatizado até análises de dados avançadas. No entanto, à medida que os modelos se tornam mais poderosos, crescem também os desafios energéticos para mantê-los funcionando. A pergunta que começa a preocupar governos, empresas e ambientalistas é: de onde virá a energia para sustentar essa nova era digital?

A IA consome mais energia do que você imagina

Modelos de IA generativa, como o ChatGPT-4, exigem enormes quantidades de energia — tanto no desenvolvimento quanto no treinamento e uso diário. Cada vez que uma imagem é gerada ou uma consulta é feita, cálculos intensos são realizados em data centers ao redor do mundo.

Segundo a MIT Sloan School of Management, os data centers já são responsáveis por até 2% do consumo global de energia, o equivalente ao setor aéreo. E esse número pode chegar a impressionantes 21% até 2030, impulsionado pela expansão da IA.

O Brasil e seu potencial desperdiçado

A inteligência artificial vem revolucionando o modo como empresas operam, desde o atendimento automatizado até análises de dados avançadas.
© Unsplash

O Brasil tem um dos maiores potenciais de energia renovável do mundo, mas esbarra em obstáculos como burocracia, alta carga tributária e ausência de incentivos. “Não é falta de energia, é falta de incentivo. Outros países subsidiam o setor. Aqui, o custo é uma barreira”, afirma Ricardo Alário, CEO da Odata.

A Odata é pioneira no Brasil ao operar data centers 100% abastecidos com energia renovável, em parceria com a Serena Energia e a Casa dos Ventos. Ainda assim, iniciativas como essa são exceção em um país que poderia estar na vanguarda energética.

Uma solução promissora vem do mar

A inteligência artificial vem revolucionando o modo como empresas operam, desde o atendimento automatizado até análises de dados avançadas.
© Unsplash

Imagine captar energia limpa diretamente do fundo do oceano. É isso que propõe a Tidalwatt, startup criada pelo físico Mauricio Queiroz. A empresa desenvolveu turbinas subaquáticas capazes de gerar energia com altíssima eficiência, aproveitando a força constante das correntes marítimas.

Diferente das turbinas eólicas — que produzem energia apenas 30% do tempo — as turbinas subaquáticas operam até 90% do tempo. Uma unidade de apenas 3 metros de diâmetro pode gerar até 5 MW, igualando a potência de turbinas eólicas gigantes de 180 metros.

A inovação já despertou interesse em países como Japão, Itália e Nova Zelândia, e pode ser um divisor de águas na alimentação de futuros data centers offshore.

Big techs apostam na energia nuclear

Diante da escalada energética, gigantes como Amazon, Google, Meta e Microsoft estão mirando em uma fonte polêmica, porém eficiente: a energia nuclear. Apesar das preocupações ambientais, usinas nucleares não emitem gases de efeito estufa durante a operação.

Mais ainda, essas empresas estão investindo em pequenos reatores modulares (SMRs), com capacidade de até 300 MW por unidade. Esses reatores podem ser construídos perto dos data centers, economizando tempo e recursos com transmissão de energia.

O CEO da Odata acredita que, inevitavelmente, o mundo terá que aceitar a energia nuclear como uma solução viável. “As tecnologias evoluíram, os reatores são mais seguros. O problema é a regulação, que ainda é muito rígida e lenta”, afirma Alário.

O futuro da IA depende de uma nova matriz energética

Com o avanço dos modelos de IA, a pressão por fontes energéticas estáveis, limpas e escaláveis só tende a aumentar. Seja com turbinas subaquáticas, incentivos a renováveis ou reatores nucleares compactos, uma coisa é certa: o setor de tecnologia não poderá crescer indefinidamente sem resolver o impasse energético.

A inteligência artificial é o futuro — mas sem energia suficiente, esse futuro pode não acontecer como esperamos. A escolha das fontes energéticas não será apenas técnica, mas estratégica, ética e global.

 

Fonte: Época Negocios

 

Partilhe este artigo

Artigos relacionados