A inteligência artificial vem revolucionando o modo como empresas operam, desde o atendimento automatizado até análises de dados avançadas. No entanto, à medida que os modelos se tornam mais poderosos, crescem também os desafios energéticos para mantê-los funcionando. A pergunta que começa a preocupar governos, empresas e ambientalistas é: de onde virá a energia para sustentar essa nova era digital?
A IA consome mais energia do que você imagina
Modelos de IA generativa, como o ChatGPT-4, exigem enormes quantidades de energia — tanto no desenvolvimento quanto no treinamento e uso diário. Cada vez que uma imagem é gerada ou uma consulta é feita, cálculos intensos são realizados em data centers ao redor do mundo.
Segundo a MIT Sloan School of Management, os data centers já são responsáveis por até 2% do consumo global de energia, o equivalente ao setor aéreo. E esse número pode chegar a impressionantes 21% até 2030, impulsionado pela expansão da IA.
O Brasil e seu potencial desperdiçado

O Brasil tem um dos maiores potenciais de energia renovável do mundo, mas esbarra em obstáculos como burocracia, alta carga tributária e ausência de incentivos. “Não é falta de energia, é falta de incentivo. Outros países subsidiam o setor. Aqui, o custo é uma barreira”, afirma Ricardo Alário, CEO da Odata.
A Odata é pioneira no Brasil ao operar data centers 100% abastecidos com energia renovável, em parceria com a Serena Energia e a Casa dos Ventos. Ainda assim, iniciativas como essa são exceção em um país que poderia estar na vanguarda energética.
Uma solução promissora vem do mar

Imagine captar energia limpa diretamente do fundo do oceano. É isso que propõe a Tidalwatt, startup criada pelo físico Mauricio Queiroz. A empresa desenvolveu turbinas subaquáticas capazes de gerar energia com altíssima eficiência, aproveitando a força constante das correntes marítimas.
Diferente das turbinas eólicas — que produzem energia apenas 30% do tempo — as turbinas subaquáticas operam até 90% do tempo. Uma unidade de apenas 3 metros de diâmetro pode gerar até 5 MW, igualando a potência de turbinas eólicas gigantes de 180 metros.
A inovação já despertou interesse em países como Japão, Itália e Nova Zelândia, e pode ser um divisor de águas na alimentação de futuros data centers offshore.
Big techs apostam na energia nuclear
Diante da escalada energética, gigantes como Amazon, Google, Meta e Microsoft estão mirando em uma fonte polêmica, porém eficiente: a energia nuclear. Apesar das preocupações ambientais, usinas nucleares não emitem gases de efeito estufa durante a operação.
Mais ainda, essas empresas estão investindo em pequenos reatores modulares (SMRs), com capacidade de até 300 MW por unidade. Esses reatores podem ser construídos perto dos data centers, economizando tempo e recursos com transmissão de energia.
O CEO da Odata acredita que, inevitavelmente, o mundo terá que aceitar a energia nuclear como uma solução viável. “As tecnologias evoluíram, os reatores são mais seguros. O problema é a regulação, que ainda é muito rígida e lenta”, afirma Alário.
O futuro da IA depende de uma nova matriz energética
Com o avanço dos modelos de IA, a pressão por fontes energéticas estáveis, limpas e escaláveis só tende a aumentar. Seja com turbinas subaquáticas, incentivos a renováveis ou reatores nucleares compactos, uma coisa é certa: o setor de tecnologia não poderá crescer indefinidamente sem resolver o impasse energético.
A inteligência artificial é o futuro — mas sem energia suficiente, esse futuro pode não acontecer como esperamos. A escolha das fontes energéticas não será apenas técnica, mas estratégica, ética e global.
Fonte: Época Negocios