Enquanto boa parte da humanidade corre atrás de conexão, há grupos que lutam pelo direito de permanecer isolados. Mas essa escolha ancestral está em risco. Segundo a ONG Survival International, quase metade dos povos indígenas não contatados do planeta pode desaparecer até 2035, caso governos e empresas não mudem suas práticas.
Povos isolados sob ameaça global
A organização estima que existam 196 povos e grupos “não contatados” no mundo — ou seja, comunidades que optam por viver sem contato com outras sociedades humanas. Mais de 90% desses grupos vivem na floresta amazônica, principalmente no Brasil, mas também há registros na Indonésia e na Índia.
As ameaças vêm de todos os lados: garimpo ilegal, extração de madeira, projetos de infraestrutura, tráfico de drogas e até o turismo predatório. Segundo a diretora executiva da ONG, Caroline Pearce, a situação exige ação imediata. “Queremos que governos e empresas reconheçam essa urgência mundial e ajam a respeito”, afirmou em coletiva realizada em Londres, ao lado do ator Richard Gere, defensor da causa há décadas.
A luta por um direito ancestral
Um dos casos mais críticos é o da comunidade kakataibo, na região de Ucayali, no Peru. O líder indígena Herlin Odicio denunciou que leis que protegiam as terras e os direitos dos povos isolados estão sendo desmontadas. “Não estamos pedindo favores aos Estados. É um direito ancestral de muitas décadas”, afirmou.
A Survival International cobra a criação de zonas protegidas para preservar o modo de vida desses povos e impedir a invasão de suas terras. Apesar de existirem tratados internacionais que garantem o direito dos povos indígenas à autodeterminação, sua aplicação é frequentemente falha ou ignorada em âmbito nacional.
O preço da omissão
De acordo com o relatório, quase metade dos povos isolados enfrenta ameaças tão graves que, sem intervenção urgente, pode desaparecer completamente em uma década. A perda seria irreversível — não apenas cultural, mas também ambiental, já que essas comunidades desempenham papel essencial na preservação das florestas tropicais.
A floresta amazônica, onde vive a maior parte desses povos, já perdeu mais de 20% de sua cobertura original por causa do desmatamento. A invasão de territórios isolados não apenas destrói ecossistemas, como também expõe essas populações a doenças contra as quais não têm imunidade.
O alerta da ONG é claro: proteger os povos isolados é proteger a própria Amazônia — e, por extensão, o planeta. Ignorar esse aviso pode significar perder culturas inteiras, modos de vida únicos e um dos últimos vínculos diretos da humanidade com sua origem.
[Fonte: Jovem Pan]