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Tecnologia

OpenAI diz que buscas no ChatGPT já equivalem a 20% do volume do Google

Empresa divulga números expressivos de uso, mas a definição de “consultas semelhantes a buscas” e a falta de dados atualizados sobre assinantes dificultam avaliar o resultado.
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Tempo de leitura: 3 minutos

O ChatGPT já teria alcançado um volume de buscas equivalente a cerca de 20% do registrado pelo Google, segundo uma estimativa apresentada pela OpenAI ao veículo Big Technology. O número colocaria a ferramenta entre os maiores destinos para procurar informações na internet. A comparação, porém, depende de uma definição ampla de busca, e a empresa não revelou o total exato de consultas usado no cálculo.

Em entrevista, Adam Fry, responsável pelo produto de consumo do ChatGPT, afirmou que a plataforma cresce rapidamente como alternativa aos mecanismos tradicionais. Os dados chamam atenção, mas deixam duas perguntas: o que a OpenAI está contando como busca e quantos desses usuários pagam pelo serviço?

O que entra na conta de uma busca

Fry utilizou a expressão “consultas semelhantes a buscas” para explicar a estimativa. Segundo ele, a categoria inclui situações em que alguém teria recorrido a um buscador tradicional, mas decide usar o ChatGPT.

Ao detalhar o conceito, afirmou: “Toda vez que você faz uma pergunta e vai pesquisar na web, isso é uma busca”.

A explicação ajuda a entender a proposta, mas ainda deixa espaço para dúvidas. Uma conversa pode reunir perguntas, pedidos de esclarecimento e consultas a fontes externas. Sem uma metodologia detalhada, fica difícil saber como essas interações entram na comparação com as pesquisas feitas no Google.

Também é importante distinguir o volume de consultas de participação de mercado. Dizer que uma plataforma registra o equivalente a 20% das buscas de outra não significa que ela detenha 20% de todas as pesquisas realizadas no mundo.

A estimativa chega a bilhões de consultas diárias

Fry não informou quantas solicitações o ChatGPT processa por dia dentro dessa categoria.

O texto original faz uma conta aproximada: considerando a estimativa de 16 bilhões de buscas diárias no Google, uma proporção de 20% corresponderia a cerca de 3,2 bilhões de interações semelhantes no ChatGPT.

Esse total resulta da aplicação do percentual divulgado sobre uma estimativa do volume do Google. Portanto, não equivale a um número diário apresentado diretamente pela OpenAI.

A diferença importa porque a escala impressiona, mas não esclarece como a empresa mediu cada interação nem quais critérios utilizou para comparar os serviços.

Usuários, imagens e voz também cresceram

Fry apresentou números mais específicos para outras áreas da plataforma. Segundo ele, o ChatGPT chegou a 1,2 bilhão de usuários ativos por semana, com um acréscimo de aproximadamente 200 milhões nos dois meses anteriores.

Os modelos da empresa também estariam gerando cerca de 1,5 bilhão de imagens por semana a pedido dos usuários. Já o recurso de voz, que permite conversar com o chatbot por áudio, teria aproximadamente 250 milhões de usuários.

São números expressivos de alcance e utilização. Ainda assim, cada indicador descreve uma atividade diferente. Pessoas ativas na semana, imagens produzidas e usuários de voz não representam, necessariamente, clientes pagantes.

A monetização continua sendo a pergunta central

Quando o assunto passou para assinaturas, Fry foi menos específico. Ele citou o último total público de 50 milhões de assinantes e afirmou que esse número cresceu, sem informar quanto.

A ausência de uma atualização impede calcular a proporção atual de usuários que pagam pelo ChatGPT.

Como exercício, o texto considera um cenário hipotético com 60 milhões de assinantes. Comparado a 1,2 bilhão de usuários ativos semanais, esse total representaria cerca de 5%. Isso não é uma taxa de conversão confirmada: os 60 milhões são uma suposição, e os indicadores também precisam de períodos e critérios compatíveis para uma comparação precisa.

O crescimento divulgado mostra a dimensão que o ChatGPT alcançou. Para avaliar o negócio, porém, o volume de uso precisa vir acompanhado de informações sobre receita, assinaturas e custos. Os números apresentados revelam uma audiência enorme, enquanto a capacidade de transformar essa escala em lucro permanece menos clara.

 

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