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Ciência

Cientistas encontram possíveis vestígios de sangue em dinossauro de 115 milhões de anos no Brasil

Fóssil encontrado no Ceará apresenta estruturas semelhantes a glóbulos vermelhos e moléculas associadas à hemoglobina. Descoberta pode transformar o estudo da biologia dos dinossauros.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Uma descoberta extraordinária feita a partir de um fóssil brasileiro pode mudar a maneira como os cientistas estudam os dinossauros. Pesquisadores identificaram possíveis vestígios de células sanguíneas preservadas nos ossos de um animal que viveu há aproximadamente 115 milhões de anos no Ceará. Além das estruturas microscópicas, foram encontradas evidências químicas relacionadas à hemoglobina. O resultado sugere que informações biológicas podem sobreviver por períodos muito maiores do que se imaginava.

Dinossauro brasileiro preservou vestígios de sangue por milhões de anos

A descoberta envolve o Aratasaurus museunacionali, um dinossauro carnívoro que habitou o Nordeste brasileiro durante o período Cretáceo.

O animal caminhava sobre duas patas, media aproximadamente 3,1 metros de comprimento e pertencia ao grupo dos terópodes, que também inclui o famoso Tyrannosaurus rex.

Os fósseis foram encontrados em 2008, em uma mina de gesso no Ceará, na região da Chapada do Araripe.

O exemplar estudado era jovem e teria aproximadamente quatro anos quando morreu.

A pesquisa, publicada em 2 de novembro na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), foi liderada pela geoquímica Kliti Grice, da Universidade Curtin, na Austrália, com participação de pesquisadores brasileiros.

O estudo representa uma das evidências mais importantes já apresentadas sobre a preservação de componentes associados ao sangue em fósseis de dinossauros.

O que os cientistas encontraram dentro dos ossos?

Ao examinar ossos das patas do animal, os pesquisadores identificaram estruturas microscópicas localizadas em canais vasculares, pequenos espaços que originalmente abrigavam vasos sanguíneos.

Essas estruturas apresentavam características compatíveis com glóbulos vermelhos.

Entretanto, a descoberta não se baseou apenas na aparência das células.

Os cientistas também utilizaram análises químicas para identificar compostos relacionados ao heme, componente da hemoglobina responsável pelo transporte de oxigênio.

Segundo a Universidade Curtin, a combinação entre estruturas celulares e evidências moleculares oferece uma oportunidade inédita para investigar a fisiologia de animais extintos.

Não se trata de sangue líquido preservado, mas de estruturas mineralizadas e resíduos químicos que podem ter origem no sangue do dinossauro.

Como essas estruturas sobreviveram por 115 milhões de anos?

A preservação excepcional pode estar relacionada às condições ambientais existentes após a morte do animal.

Os pesquisadores acreditam que o dinossauro foi rapidamente soterrado em um ambiente com pouco oxigênio e intensa atividade microbiana.

Essas condições podem ter limitado determinados processos de decomposição.

Outro elemento importante foi a presença de hausmannita, um mineral composto por óxido de manganês.

A mineralização teria ajudado a conservar a forma das estruturas microscópicas e parte de suas características químicas.

O estudo também identificou aminoácidos associados ao colágeno, proteína estrutural presente nos ossos.

Esses resultados sugerem que os fósseis podem preservar informações muito além de sua anatomia visível.

Descoberta não significa que seja possível clonar dinossauros

Cientistas encontram possíveis vestígios de sangue em dinossauro de 115 milhões de anos no Brasil
© Unsplash

Apesar da semelhança com a premissa de Jurassic Park, a descoberta não representa um caminho para ressuscitar dinossauros.

Os pesquisadores não encontraram DNA preservado nem proteínas completas capazes de fornecer informações genéticas suficientes para uma clonagem.

A equipe ressalta que pequenas moléculas e resíduos químicos podem resistir ao tempo de maneira diferente de estruturas genéticas complexas.

Também existem dúvidas científicas sobre a interpretação das estruturas encontradas.

A paleontóloga Mary Schweitzer, da Universidade Estadual da Carolina do Norte, questionou se a forma e o tamanho das estruturas correspondem realmente aos glóbulos vermelhos esperados em dinossauros.

A especialista considera as evidências químicas interessantes, mas destaca que são necessárias novas investigações.

O que a descoberta pode revelar sobre os dinossauros?

A identificação de componentes associados ao sangue abre novas possibilidades para compreender a evolução e o metabolismo dos animais pré-históricos.

Até agora, grande parte das informações sobre dinossauros foi obtida pela análise de ossos, dentes, pegadas e impressões de tecidos.

A possibilidade de estudar vestígios moleculares acrescenta uma nova dimensão à paleontologia.

Pesquisadores esperam que técnicas semelhantes possam ajudar a investigar características fisiológicas e processos evolutivos que não deixam marcas evidentes nos esqueletos.

O achado também reforça a importância científica da Chapada do Araripe, uma das regiões fossilíferas mais importantes do Brasil.

Se os resultados forem confirmados e reproduzidos em outros fósseis, a descoberta poderá ampliar significativamente os limites do que sabemos sobre a vida há milhões de anos.

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