A inteligência artificial e o uso de grandes volumes de dados chegaram ao topo das preocupações dos especialistas ouvidos pelo Future Risks Report 2026. É a primeira vez que essa categoria lidera o levantamento da seguradora AXA, realizado em parceria com a Ipsos. A mudança deslocou o clima para a segunda posição entre os profissionais consultados, enquanto a população manteve a questão climática como sua principal preocupação.
O resultado representa uma mudança na percepção de ameaças emergentes. A pesquisa reúne avaliações sobre possíveis impactos na sociedade, sem calcular diretamente qual risco provocará mais danos.
Uma escalada rápida no ranking

Na edição anterior, inteligência artificial e big data ocupavam o quarto lugar entre os especialistas. Em 2026, passaram à primeira posição. Entre o público geral, o avanço também foi expressivo: a categoria saltou do sétimo para o segundo posto.
Segundo a apresentação do relatório pela AXA, o estudo acompanha ameaças emergentes que podem transformar a sociedade em um horizonte de cinco a dez anos.
A edição de 2026 ouviu 4.345 especialistas de 62 países e regiões, além de 24 mil pessoas representativas da população de 19 países. Os participantes classificaram 20 grandes riscos conforme seu impacto potencial.
A dimensão da consulta ajuda a comparar prioridades entre grupos. Ainda assim, seus resultados descrevem as opiniões dos entrevistados naquele período, e não uma previsão inevitável sobre o futuro.
Governos parecem pouco preparados
A velocidade da transformação tecnológica ajuda a explicar a preocupação. Entre os especialistas que colocaram a IA em sua lista de principais riscos, 54% a consideraram uma ameaça que emerge rapidamente.
Nesse mesmo recorte, apenas 9% avaliaram que as autoridades públicas estavam bem preparadas para enfrentá-la. Na Europa, a proporção caiu para 3%, conforme o comunicado da AXA.
O contraste sugere uma sensação de descompasso: a tecnologia avança enquanto as estruturas destinadas a supervisionar seu uso parecem insuficientes aos olhos dos entrevistados.
Essa percepção não se limita a cenários extremos. Ela também envolve decisões e aplicações que já afetam o cotidiano.
Emprego, direitos e decisões difíceis de explicar

Segundo os dados do relatório apresentados pelo Infobae, 34% dos especialistas e do público que apontaram preocupações com IA citaram direitos humanos, vieses e uso inadequado de dados.
O emprego apareceu entre os motivos de inquietação para 28% dos especialistas e 30% do público. Outro destaque foi o chamado efeito de “caixa-preta”: a dificuldade de compreender como um sistema chega a determinada decisão.
Esses receios mostram que a discussão vai além da capacidade técnica dos modelos. Também importa saber quem responde por seus resultados, como contestar uma decisão automatizada e quais mecanismos reduzem possíveis danos.
Entre os especialistas consultados, reforçar a regulamentação e melhorar as estruturas de gestão de riscos apareceram como medidas prioritárias, com 40% e 36%, respectivamente.
O clima continua no centro das preocupações

A ascensão da IA não apagou o temor com a mudança climática. Entre a população, o clima permaneceu em primeiro lugar em todas as faixas etárias, como destaca a síntese publicada pela Ipsos.
Entre os especialistas, depois de IA e clima, apareceram instabilidade geopolítica, riscos cibernéticos e riscos energéticos. O ranking reúne, portanto, ameaças que podem se cruzar e ampliar seus efeitos.
A principal mensagem do levantamento é a mudança de prioridades acompanhada de uma baixa confiança na capacidade de resposta. A IA ganhou espaço nas preocupações, mas o desafio continua sendo preparar instituições para lidar com vários riscos ao mesmo tempo.