Na Região Metropolitana de São Paulo, milhares de motoristas convivem com o medo constante de terem seus carros levados por criminosos. E engana-se quem pensa que qualquer modelo está em risco. Estatísticas recentes revelam que alguns veículos são preferidos pelos ladrões — e isso está diretamente ligado à sua popularidade, idade e características técnicas.
Os modelos mais visados

De acordo com levantamento da empresa de rastreamento Ituran, apenas em abril, 6.790 veículos foram roubados ou furtados na região metropolitana paulista. Desses, 4.098 eram carros de passeio — 83,6% furtados e 16,4% roubados. Os criminosos preferem modelos com cerca de dez anos de fabricação, o que os torna mais fáceis de serem desmontados e revendidos em partes.
Entre os campeões de ocorrências estão o Hyundai HB20 (207 casos), Ford Ka (200), Fiat Uno (187), Chevrolet Onix (186) e Volkswagen Gol (177). Também aparecem na lista o Chevrolet Corsa, Fiat Argo, Jeep Renegade, Jeep Compass e Volkswagen Fox, todos com mais de 90 registros.
A atratividade desses modelos não está apenas na facilidade de comercialização das peças, mas também em sua resistência mecânica. Muitos deles são considerados confiáveis e econômicos — características que, infelizmente, também os tornam alvos atrativos para o mercado ilegal de peças.
Locais e horários de maior risco
São Paulo lidera o número de registros com 2.661 casos, seguida por Santo André (257), Guarulhos (253), São Bernardo do Campo (143) e Osasco (120). Já em relação aos horários, a noite concentra a maior parte das ocorrências (1.257), seguida da tarde (1.010) e da manhã (932). A madrugada também preocupa, com 547 registros.
Durante a semana, a quarta-feira é o dia com mais roubos e furtos (865), com terça-feira e quinta logo atrás. Curiosamente, sábado e domingo são os dias com menos registros, o que pode estar ligado ao menor volume de circulação em horários comerciais.
Quando o sucesso vira alvo
Um exemplo emblemático é o Volkswagen Up, lançado no Brasil em 2014. Conhecido por seu baixo consumo de combustível, desempenho urbano e durabilidade, o modelo foi considerado um dos mais econômicos do país até sair de linha em 2021. Apesar disso, seu bom histórico de manutenção e eficiência o mantém entre os veículos de interesse para criminosos que visam lucrar com peças.
O levantamento mostra que características valorizadas pelos consumidores — como economia, confiabilidade e acessibilidade — são as mesmas que despertam o interesse dos ladrões. Por isso, os motoristas devem investir em medidas preventivas, como rastreadores, travas adicionais e estacionamento em locais seguros. A escolha de um bom carro não deve ser apenas sobre custo-benefício, mas também sobre estratégias para protegê-lo no dia a dia.
[Fonte: Diário do Litoral]