Explorar Marte nunca foi uma corrida rápida. Para o róver Perseverance, da NASA, a missão se transformou em uma longa jornada científica que já dura mais de cinco anos terrestres.
Desde que pousou no planeta vermelho em fevereiro de 2021, o veículo vem atravessando lentamente crateras, depósitos sedimentares e regiões cobertas por rochas extremamente antigas em busca de respostas para uma das perguntas mais importantes da ciência moderna: Marte já teve vida?
Agora, além dos avanços científicos, o robô está prestes a alcançar uma marca simbólica. O Perseverance já percorreu 41,99 quilômetros na superfície marciana — praticamente a distância oficial de uma maratona.
Segundo a equipe da missão, ele deve ultrapassar os 42,2 quilômetros nas próximas semanas.
O Perseverance está explorando um antigo lago marciano

O róver opera principalmente dentro e ao redor da cratera Jezero, uma enorme formação localizada no hemisfério norte de Marte.
Os cientistas acreditam que essa região abrigou um lago há mais de 3 bilhões de anos. Imagens e análises feitas pelo Perseverance mostram antigos depósitos sedimentares em formato de leque, criados quando rios desaguavam naquele lago ancestral.
Hoje, Marte é frio, seco e praticamente sem atmosfera densa. Mas no passado distante o planeta possuía água líquida, temperaturas mais elevadas e condições potencialmente favoráveis ao surgimento de vida microscópica.
É justamente por isso que Jezero se tornou um dos lugares mais importantes já investigados pela NASA fora da Terra.
A possível descoberta de sinais de vida antiga
O maior resultado científico da missão foi anunciado pela NASA no ano passado.
O Perseverance coletou uma amostra de rocha avermelhada formada a partir de sedimentos do antigo fundo do lago marciano. Dentro dela, os instrumentos detectaram minerais e estruturas químicas que podem estar associados à atividade microbiana.
Os cientistas, no entanto, mantêm cautela.
Segundo os pesquisadores, os sinais encontrados também podem ter sido produzidos por processos puramente geológicos, sem relação com organismos vivos.
Ken Farley, cientista adjunto da missão e pesquisador do California Institute of Technology, explicou que a confirmação definitiva só será possível quando essas amostras forem trazidas para laboratórios na Terra.
Por isso, o Perseverance continua armazenando tubos com fragmentos de rochas marcianas que poderão ser recolhidos futuramente em uma missão robótica ou até tripulada.
Marte ainda guarda pistas de um planeta muito diferente
Além da busca por sinais de vida, o Perseverance vem revelando detalhes surpreendentes sobre a história climática de Marte.
O róver encontrou moléculas orgânicas, registrou descargas elétricas associadas aos chamados “redemoinhos de poeira” e observou, pela primeira vez em luz visível, uma aurora marciana deixando o céu do planeta levemente esverdeado.
Hoje, o veículo explora regiões localizadas fora da cratera Jezero, onde existem rochas possivelmente formadas há mais de 4 bilhões de anos.
Isso significa que elas surgiram em um período extremamente próximo ao nascimento do próprio planeta.
Como a Terra passou por intensa atividade geológica ao longo de bilhões de anos, muitas das rochas mais antigas do nosso planeta foram destruídas. Marte, por outro lado, preservou parte desse passado remoto quase intacto.
Segundo Farley, isso transforma o planeta vermelho em uma espécie de cápsula do tempo capaz de revelar como eram os ambientes onde a vida poderia ter começado também na Terra.
O Perseverance ainda pode operar por mais uma década

Originalmente, a missão havia sido planejada para durar cerca de um ano marciano — equivalente a 687 dias terrestres.
Mas o desempenho do veículo superou as expectativas.
De acordo com a NASA, o Perseverance continua em excelente estado e ainda possui combustível nuclear suficiente para seguir operando por pelo menos mais dez anos.
Enquanto isso, outro veterano da exploração marciana continua ativo no planeta: o róver Curiosity, que pousou em 2012 na cratera Gale.
O recorde de distância percorrida em Marte, porém, ainda pertence ao Opportunity, que viajou impressionantes 45,16 quilômetros antes de encerrar sua missão em 2019.
Agora, o Perseverance está muito perto de alcançar essa marca — enquanto continua tentando descobrir se Marte já foi, um dia, um mundo vivo.
[ Fonte: DW ]