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Ciência

Os jovens estão mais infelizes do que nunca, mas há algo pior: o mistério da curva quebrada da felicidade

Durante décadas acreditava-se que a felicidade seguia um padrão em forma de U, com altos níveis na juventude, queda na meia-idade e recuperação na velhice. Mas novas pesquisas revelam uma reviravolta: os jovens de hoje estão mais infelizes do que nunca, e o mistério dessa mudança preocupa especialistas em todo o mundo.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A adolescência e os primeiros anos da vida adulta sempre foram descritos como os “anos dourados” da felicidade. No entanto, estudos recentes mostram que essa ideia já não corresponde à realidade. A chamada “curva da felicidade”, tida como uma certeza quase biológica, parece ter se quebrado. O resultado é um cenário inédito: jovens cada vez mais infelizes, enquanto os mais velhos reportam níveis crescentes de bem-estar.

Da curva em U à linha descendente

Pesquisadores como David Blanchflower e Andrew Oswald demonstraram que o bem-estar humano seguia uma curva universal em forma de U. Crianças e jovens relatavam altos níveis de felicidade, que diminuíam na meia-idade e voltavam a subir na velhice. Esse padrão foi identificado em mais de cem países — e até em grandes primatas.

No entanto, a geração Z rompeu essa regularidade. Hoje, os dados mostram um declínio contínuo na juventude e um aumento gradual apenas com o avanço da idade. Os adultos jovens se tornaram o grupo menos feliz da sociedade.

Uma mudança que antecede a pandemia

Embora muitos associem o problema à crise da COVID-19, o declínio já havia começado antes. Entre 2014 e 2017, estudos revelaram uma queda brusca no bem-estar, especialmente entre mulheres jovens. A pandemia apenas acelerou uma tendência já em curso.

Pesquisadores como Zach Rausch demonstraram que esse fenômeno não se limita a um país: ocorre em toda a Europa, nos Estados Unidos e até nas nações nórdicas. Ansiedade, depressão, automutilação e internações psiquiátricas dispararam entre os jovens dessa geração.

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© Pexels – Zen Chung

As cifras de uma crise global

Os números são alarmantes. Nos EUA, uma em cada nove jovens relata viver diariamente com má saúde mental; entre homens, a proporção é de um em cada 14. Isso se traduz em maior absenteísmo escolar, mais internações e aumento nos índices de suicídio.

O Global Mind Project, que analisou dados de 34 países entre 2020 e 2023, confirma: os jovens são atualmente os mais infelizes da pirâmide social, enquanto pessoas mais velhas reportam estar cada vez mais satisfeitas com a vida.

O enigma da felicidade perdida

O que explica essa virada? Especialistas descartam fatores como mercado de trabalho ou apenas pandemia. Algo começou por volta de 2014: mudanças culturais e tecnológicas globais que impactaram fortemente os jovens, sobretudo as mulheres.

Para Blanchflower, o que vivemos é uma mudança de paradigma. A crise da meia-idade, antes vista como inevitável, está sendo substituída por uma crise global de saúde mental juvenil. A felicidade, antes tratada como uma curva previsível, agora é um enigma social que exige respostas urgentes.

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