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Tecnologia

Oscar considera novas regras de divulgação para uso de IA em filmes

A polêmica em torno do uso de inteligência artificial em filmes como The Brutalist leva a Academia a avaliar a obrigatoriedade da divulgação de IA nas produções concorrentes ao Oscar.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas está considerando implementar novas regras obrigatórias para a divulgação do uso de inteligência artificial (IA) em filmes concorrentes ao Oscar. Atualmente, a regulamentação existente apenas sugere que as produções informem sobre a aplicação da tecnologia, mas o caso de The Brutalist e outros longas indicam que essa transparência pode se tornar mandatória.

O impacto de IA em The Brutalist

Dirigido por Brady Corbet, The Brutalist impressionou o público com sua narrativa épica e cinematografia impactante. No entanto, a produção gerou controvérsia ao utilizar IA para modificar a voz dos atores, fazendo com que soassem com um sotaque húngaro mais autêntico. A descoberta veio à tona após a indicação do filme a dez categorias do Oscar, gerando questionamentos sobre o impacto dessa prática na autenticidade do cinema.

A polêmica surgiu após uma entrevista do editor do filme, Dávid Jancsó, ao RedShark News. Jancsó revelou que a produção contratou a empresa ucraniana Respeecher para ajustar digitalmente as vozes dos atores. Além disso, IA também foi utilizada para criar alguns dos projetos arquitetônicos presentes no longa.

Debate sobre a inteligência artificial em Hollywood

O uso da IA no cinema ainda é um tema controverso. Enquanto alguns defendem sua capacidade de otimizar processos e reduzir custos, outros temem que a tecnologia possa comprometer a autenticidade da atuação e da produção cinematográfica tradicional. Segundo Jancsó, “Não há nada no filme que utilize IA de forma inédita, apenas aceleramos processos que, de outra forma, seriam mais demorados e custosos”.

O dilema sobre a regulamentação do uso de IA se intensificou nos últimos anos, especialmente com a tentativa da OpenAI de vender sua tecnologia de geração de vídeo para estúdios de Hollywood. Exemplos anteriores incluem o filme O Irlandês, de Martin Scorsese, que usou deepfakes para rejuvenescer seus atores em cenas de flashback. Apesar dessas inovações, ainda não há um consenso na indústria sobre a aceitação dessa tecnologia.

Mudanças nas regras do Oscar

Atualmente, a Academia oferece um formulário opcional para a divulgação do uso de IA. No entanto, com a crescente utilização da tecnologia, os comitês executivos das diversas categorias do prêmio avaliam tornar essa divulgação obrigatória a partir do Oscar de 2026. A decisão final sobre essa mudança está prevista para abril deste ano, quando serão publicadas as novas regras da premiação.

A preocupação central da Academia é garantir que os avanços tecnológicos não substituam a criatividade e o esforço humano no cinema. O futuro da IA em Hollywood permanece incerto, mas uma coisa é clara: o debate sobre seus limites e aplicações está longe de terminar.

Fonte: Gizmodo US

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