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Ciência

Ozempic pode ser menos eficaz em quem come por emoção, aponta estudo

Pesquisa japonesa sugere que o motivo por trás do excesso de comida influencia a resposta a medicamentos como Ozempic e Wegovy. Enquanto quem cede a estímulos externos tende a ter melhores resultados, os chamados “comedores emocionais” podem precisar de apoio psicológico adicional.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Os agonistas de GLP-1 — medicamentos como Ozempic e Wegovy, conhecidos por ajudarem no controle da glicemia e na perda de peso — já transformaram a vida de muitos pacientes. No entanto, nem todos respondem da mesma forma ao tratamento. Um novo estudo japonês indica que a razão que leva ao excesso de comida pode ser determinante para o sucesso da terapia.

Como o estudo foi conduzido

Pesquisadores acompanharam 92 pessoas com diabetes tipo 2 no Japão durante o primeiro ano de uso de agonistas de GLP-1. Os resultados, publicados na revista Frontiers in Clinical Diabetes and Healthcare, mostraram que indivíduos que comem em resposta a estímulos externos — como o cheiro ou a aparência de alimentos — tiveram mais chances de perder peso e melhorar parâmetros metabólicos em comparação a quem come por razões emocionais.

Segundo Daisuke Yabe, professor de endocrinologia e nutrição da Universidade de Kyoto e autor sênior do estudo, avaliar os padrões alimentares antes do tratamento pode ajudar a prever quem terá melhores resultados com a terapia.

Emoções x estímulos externos

Os pesquisadores distinguiram três perfis de comportamento alimentar:

  • Comer emocional: motivado por sentimentos negativos;

  • Comer externo: provocado pela visão ou cheiro da comida;

  • Comer restritivo: quando há tentativa de controlar excessivamente a dieta.

Ao longo de um ano, os participantes apresentaram queda significativa no peso corporal, no colesterol e na porcentagem de gordura, sem perda de massa muscular. Os níveis de glicose no sangue melhoraram, mas sem diferença estatisticamente relevante.

A maior diferença veio da motivação para comer: aqueles com altos níveis de “comer externo” no início tiveram os maiores benefícios em glicemia e perda de peso. Já os que relataram comer por emoção não mostraram melhora expressiva.

Por que o emocional pesa mais

Para Takehiro Kato, coautor do estudo e pesquisador da Universidade de Gifu, a explicação pode estar na origem psicológica do comer emocional, que não é diretamente abordada pelo tratamento medicamentoso. Pessoas com esse perfil podem precisar de acompanhamento psicológico ou intervenções comportamentais paralelas ao uso dos remédios.

Mudanças e recaídas

Nos primeiros três meses de tratamento, houve redução tanto no comer emocional quanto no comer externo, além de aumento no comer restritivo. Mas ao final de um ano, os pacientes haviam retornado aos padrões originais de alimentação emocional e restritiva, mostrando a dificuldade de sustentar mudanças apenas com o uso da medicação.

Resultados promissores, mas preliminares

Apesar das descobertas, os autores destacam que o estudo foi observacional e se baseou em autorrelato, o que limita as conclusões. “Nossos achados sugerem uma associação, não uma relação de causa e efeito”, explicou Yabe.

Para ele, são necessários ensaios clínicos em maior escala para confirmar a hipótese. Se comprovada, a inclusão de uma avaliação simples de comportamento alimentar poderia ajudar médicos a personalizar melhor o tratamento com agonistas de GLP-1.


Um estudo japonês indica que Ozempic e outros agonistas de GLP-1 podem ser menos eficazes em pessoas que comem por razões emocionais. Já pacientes que comem por estímulos externos tendem a ter melhores resultados de perda de peso e glicemia. Especialistas sugerem combinar tratamento com suporte psicológico.

 

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