Quem foi Maria de Lourdes Guarda
Nascida em Salto (SP), em 1926, Maria de Lourdes Guarda teve a vida drasticamente interrompida aos 21 anos. Uma lesão grave na coluna a deixou paralisada da cintura para baixo. Com o tempo, seu estado se agravou, levando à imobilização quase completa.
O que poderia ser o fim de uma vida ativa se tornou o início de outra missão. Entre a própria casa e longos períodos em hospitais, Maria de Lourdes passou a receber pessoas em busca de conforto, orações e orientação espiritual.
Aos poucos, seu quarto se transformou em ponto de encontro para fiéis.
Por que ela se tornou uma brasileira venerável

O título de venerável é concedido a pessoas reconhecidas pela Igreja por suas “virtudes heroicas”. A proclamação da brasileira venerável foi feita oficialmente pelo papa Leão XIV, reforçando o impacto da trajetória de Maria de Lourdes.
Ela atuou junto às Irmãs Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus e fez do próprio leito um espaço para encontros de oração e aconselhamento.
Outro destaque foi seu trabalho como coordenadora da Fraternidade das Pessoas com Deficiência, cargo que ocupou por 10 anos. Segundo o Vaticano, ela se dedicou:
- À inclusão social
- À defesa dos direitos das pessoas com deficiência
- À formação de agentes pastorais
Essa atuação foi decisiva para o reconhecimento de Maria de Lourdes Guarda como uma daquelas figuras que marcaram a fé na prática.
O reconhecimento do papa Leão XIV
A proclamação da brasileira venerável ocorreu nesta sexta-feira, dia 21. O papa Leão XIV formalizou o título durante cerimônia oficial, colocando Maria de Lourdes em uma etapa importante do caminho rumo à beatificação, caso milagres sejam oficialmente reconhecidos.
Maria de Lourdes morreu em 1996, aos 70 anos, em decorrência de um câncer na bexiga. Em 2011, seus restos mortais foram transferidos para o altar da Sagrada Família, na Paróquia Nossa Senhora do Monte Serrat, em Salto (SP).
Hoje, seu nome volta aos holofotes como símbolo de fé e resistência.
Outros reconhecimentos feitos pelo Vaticano
Na mesma cerimônia, o papa Leão XIV também reconheceu como mártires os sacerdotes italianos Ubaldo Marchioni e Martino Capelli. Eles foram mortos em 1944 por forças nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.
Ambos devem ser proclamados beatos nos próximos meses.
Um legado que vai além da fé
A história de Maria de Lourdes Guarda não fala apenas de religião. Fala de inclusão, acolhimento e força espiritual diante da dor. Ao se tornar brasileira venerável, ela passa a representar oficialmente algo que, na prática, já fazia há décadas: inspirar pessoas.
Seu reconhecimento pelo papa Leão XIV coloca o Brasil novamente em destaque na história da Igreja — e levanta uma reflexão inevitável: até onde a fé pode transformar o sofrimento em propósito?
[Fonte: Correio Braziliense]