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Ciência

Pesquisadores identificaram quatro comportamentos capazes de revelar problemas em um relacionamento

Pesquisas sobre relacionamentos descobriram que a maneira como um casal reage durante os conflitos pode revelar sinais importantes sobre o futuro da relação.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Toda relação enfrenta discussões. Às vezes, uma conversa termina em gritos; em outras, um dos dois simplesmente para de responder e parece se fechar completamente. Esse comportamento costuma ser interpretado como frieza, desinteresse ou até uma tentativa de punição. Mas décadas de pesquisas sobre casais indicam que a história pode ser bem diferente — e que certos padrões durante uma briga merecem muito mais atenção do que parecem.

O padrão que chamou a atenção dos pesquisadores

Durante décadas, o psicólogo John Gottman, da Universidade de Washington, estudou casais enquanto eles discutiam, observando não apenas suas palavras, mas também suas reações físicas. O trabalho deu origem ao chamado “laboratório do amor” e a um dos modelos mais conhecidos da psicologia dos relacionamentos.

A partir dessas pesquisas, Gottman identificou quatro comportamentos particularmente destrutivos, conhecidos como os “quatro cavaleiros”. Eles são a crítica, o desprezo, a postura defensiva e um quarto comportamento que pode parecer surpreendente: o afastamento silencioso.

O conjunto desses padrões foi associado a uma capacidade superior a 90% de prever, em determinados estudos, quais relacionamentos apresentariam maior probabilidade de terminar em divórcio. Isso não significa que uma única discussão seja capaz de determinar o futuro de um casamento. O que importa é a repetição desses comportamentos e a dificuldade do casal em interromper o ciclo.

Entre os quatro, o desprezo — marcado por sarcasmo, zombaria e demonstrações de superioridade — aparece como um dos sinais mais preocupantes. O silêncio, porém, pode ser justamente a parte mais fácil de interpretar errado.

Quando o silêncio deixa de ser apenas silêncio

O comportamento conhecido como stonewalling acontece quando uma pessoa se fecha durante uma discussão. Ela pode parar de responder, evitar contato visual, mudar de assunto ou simplesmente permanecer em silêncio.

À primeira vista, parece uma decisão consciente: “não quero falar com você”. Mas, segundo o modelo de Gottman, muitas vezes existe outra explicação por trás disso.

Esse afastamento pode surgir depois que a discussão já atingiu um nível elevado de tensão. Críticas, acusações, desprezo e respostas defensivas acumulam-se até que a pessoa simplesmente não consiga continuar participando daquela conversa de maneira produtiva.

É aí que entra um aspecto menos intuitivo: a reação não seria apenas psicológica, mas também fisiológica.

Quando ocorre o chamado flooding, ou “inundação fisiológica”, o organismo entra em um estado intenso de estresse. A frequência cardíaca aumenta, a respiração pode ficar irregular e surgem outros sinais físicos de ativação.

Nesse momento, continuar discutindo racionalmente pode se tornar muito difícil. Portanto, aquele silêncio que parece uma demonstração de indiferença pode, em determinadas situações, ser uma resposta de um sistema nervoso sobrecarregado.

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© Vitaly Gariev – Unsplash

Por que esse comportamento aparece com tanta frequência

As pesquisas associadas ao método de Gottman também encontraram diferenças entre homens e mulheres na frequência desse comportamento. Em análises relacionadas ao modelo, o stonewalling aparece com maior frequência entre homens, chegando a cerca de 80% dos casos observados.

A explicação proposta não é simplesmente uma menor disposição masculina para conversar sobre emoções. A hipótese está relacionada, entre outros fatores, à maneira como o organismo reage e retorna ao estado de calma durante conflitos.

Quando a ativação fisiológica permanece elevada, afastar-se da discussão pode proporcionar uma sensação imediata de alívio. O problema começa quando essa retirada se transforma em um padrão permanente e impede que o assunto seja retomado.

Por isso, existe uma diferença importante entre pedir uma pausa e simplesmente abandonar a conversa.

No primeiro caso, a pessoa reconhece que está emocionalmente sobrecarregada e sinaliza que pretende voltar ao assunto. No segundo, o silêncio pode deixar o parceiro sem saber se haverá uma continuação da conversa.

Essa diferença aparentemente pequena pode mudar completamente a dinâmica de um conflito.

A pausa pode ser mais útil do que insistir na discussão

Se o corpo já entrou em estado de estresse intenso, insistir na conversa nem sempre é a melhor estratégia. Pelo contrário: continuar pressionando pode aumentar ainda mais a tensão e tornar impossível encontrar uma solução.

A recomendação associada ao método de Gottman é comunicar claramente a necessidade de uma pausa. Em vez de simplesmente ficar em silêncio, a pessoa pode explicar que está muito alterada e precisa de algum tempo antes de continuar.

Depois, atividades capazes de reduzir a ativação — como caminhar, ler ou fazer algum exercício — podem ajudar o organismo a retornar a um estado mais tranquilo. Uma pausa de aproximadamente 20 minutos é frequentemente utilizada como referência nesse contexto.

O mais importante, entretanto, é retomar a conversa depois.

Nenhum dos quatro “cavaleiros” significa automaticamente que um relacionamento está condenado. Os casais podem apresentar esses comportamentos ocasionalmente e ainda assim construir relações saudáveis. O sinal de alerta aparece quando eles se tornam frequentes, previsíveis e difíceis de interromper.

No fim, a grande descoberta dessas pesquisas não é que uma discussão possa prever o divórcio. É que a maneira como duas pessoas entram, permanecem e saem de um conflito pode revelar muito sobre a saúde da relação.

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