O governo federal se prepara para anunciar os números do Plano Safra 2025/2026, dividindo a apresentação em dois dias. Com a promessa de alcançar um volume histórico de investimentos, o pacote traz incentivos tanto para pequenos agricultores quanto para o agronegócio empresarial. No entanto, o aumento nos juros pode comprometer o entusiasmo inicial do setor. Veja o que está previsto e como isso pode afetar o campo.
Recorde de investimentos com custo elevado
O presidente Lula participa nos dias 30 de junho e 1º de julho do lançamento oficial do novo Plano Safra. A expectativa é de que os recursos superem os R$ 500 bilhões, somando as modalidades voltadas à agricultura familiar e ao setor empresarial. A cifra supera com folga o valor de R$ 421,9 bilhões (corrigidos pela inflação) do ciclo 2024/2025, estabelecendo um novo recorde.
A principal mudança em relação aos anos anteriores está no custo do crédito. Com a taxa Selic em 15% e uma política monetária mais dura, os juros das novas linhas de financiamento serão mais altos do que os registrados no biênio anterior, quando variavam entre 6% e 12% ao ano. Embora ainda não se saiba exatamente quanto subirão, o cenário já preocupa produtores rurais e empresas do setor.
Os juros serão diferenciados por perfil: linhas do Pronaf, voltadas a pequenos agricultores, tendem a ter taxas mais acessíveis, enquanto grandes empresas enfrentarão custos maiores. Ainda há categorias com juros livres, determinados entre cliente e banco.
Discurso político e comparações históricas
O governo deve repetir o discurso de que os Planos Safra sob a gestão de Lula representam os maiores volumes já destinados ao campo. A divisão do anúncio em dois dias, prática adotada nos mandatos mais recentes, destaca os compromissos com diferentes segmentos do setor rural.
Participam dos eventos os ministros Carlos Fávaro (Agricultura), na terça-feira, e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário), na segunda. A retórica presidencial também reforça a comparação com gestões anteriores, especialmente com a de Jair Bolsonaro. Lula chegou a afirmar que, em seus primeiros mandatos, era possível financiar máquinas com juros de 2% ao ano. Mas os dados mostram que a taxa mínima naquele período superou os 5% em quase todos os anos, com exceção de 2009. Durante o governo Bolsonaro, o menor percentual foi de 2,8%.
O novo plano, portanto, chega com uma promessa robusta de recursos, mas também com uma realidade mais dura em termos de financiamento. Resta saber como o setor reagirá ao equilíbrio entre o volume bilionário de crédito e os encargos mais pesados.
[Fonte: Poder360]