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Ciência

A mulher que revolucionou o solo brasileiro e agora é símbolo da agricultura mundial

Com décadas de dedicação à pesquisa de micro-organismos e insumos sustentáveis, a cientista brasileira Mariangela Hungria conquistou o mais importante prêmio da agricultura global. Mas seu feito vai além do laboratório: é também uma vitória silenciosa de mulheres que alimentam o mundo, mesmo longe dos holofotes.
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Tempo de leitura: 2 minutos

A agricultura moderna está passando por uma transformação — e no centro dessa mudança está uma brasileira. Mariangela Hungria, pesquisadora da Embrapa Soja, acaba de se tornar a primeira brasileira a vencer o World Food Prize, considerado o “Nobel da Agricultura”. Seu trabalho com insumos biológicos coloca o Brasil na liderança mundial em práticas agrícolas sustentáveis e evidencia o papel cada vez mais decisivo das mulheres no futuro do campo.

Biotecnologia no campo: uma revolução invisível

Ao longo de décadas, Mariangela dedicou-se ao estudo de micro-organismos invisíveis a olho nu, mas com um impacto profundo na produtividade agrícola. Em entrevista ao Jornal da CBN, ela afirmou que essa conquista é fruto de persistência e fidelidade a uma causa iniciada ainda na infância.

“Agradeço por ver essa mudança acontecendo. Hoje os insumos biológicos têm o destaque que merecem. Essa premiação reconhece uma trajetória de resiliência, sem nunca desviar do caminho”, declarou.

Ela explicou que a adoção dos biológicos pelos produtores brasileiros é resultado de um esforço coletivo que vai do laboratório até a indústria, garantindo que as soluções desenvolvidas estejam disponíveis no mercado. “Temos que transformar a pesquisa em produto real. Não adianta criar soluções que não chegam às mãos do agricultor.”

Recuperar pastagens para dobrar a produção sem desmatar

O foco atual da cientista é recuperar pastagens degradadas — áreas que somam mais do que o dobro das terras usadas para lavouras no Brasil. Segundo Mariangela, entre 60% e 70% dessas pastagens estão em algum grau de degradação, representando um dos maiores desafios ambientais do país.

“Se conseguirmos aplicar biotecnologia nessas áreas, podemos triplicar a produção sem derrubar uma única árvore. Isso muda o jogo da sustentabilidade agrícola”, afirmou. A proposta dela é simples e poderosa: restaurar o que já está degradado, ao invés de avançar sobre novas áreas naturais.

A força silenciosa das mulheres na agricultura

Durante a entrevista, Mariangela fez questão de homenagear as mulheres que, mesmo sem visibilidade, desempenham um papel essencial na agricultura e na segurança alimentar. Ela destacou o trabalho de quem cultiva hortas, preserva sementes, prepara alimentos com valor nutricional e cuida da alimentação de famílias e comunidades.

“Elas são as guardiãs silenciosas da segurança alimentar. Se não fossem as mulheres, nossa situação seria muito mais crítica”, disse. A cientista reforçou que a agricultura do futuro será feminina — não apenas pela presença crescente de pesquisadoras, mas pelo reconhecimento de quem sempre esteve ali, sustentando o sistema de forma invisível.

A conquista de Mariangela Hungria não é apenas uma premiação internacional — é um símbolo de que o futuro da agricultura depende da ciência, da sustentabilidade e do protagonismo feminino. Ao transformar o solo com micro-organismos e ideias inovadoras, ela mostra que grandes mudanças começam com pequenas decisões — e que elas podem, sim, vir das mãos de uma mulher.

[Fonte: CBN Globo]

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