Para milhões de pessoas, a primavera significa o início da temporada de alergias. Espirros constantes, nariz escorrendo e olhos irritados fazem parte da rotina de quem sofre com rinite alérgica. Mas um novo estudo sugere que o pólen pode ter efeitos que vão além do desconforto físico. Pesquisadores descobriram que a presença dessas partículas no ar pode estar associada a um desempenho acadêmico ligeiramente pior em exames escolares.
A relação entre pólen e desempenho escolar
O estudo foi conduzido por cientistas na Finlândia e publicado na revista científica Journal of Epidemiology and Community Health. Os pesquisadores analisaram o desempenho de estudantes do ensino médio em exames finais realizados durante a primavera, período em que os níveis de pólen costumam aumentar.
Durante 14 anos, os cientistas acompanharam o desempenho de cerca de 100 mil alunos nas cidades de Helsinque e Turku. Esses exames são equivalentes às provas finais de conclusão do ensino médio usadas em diversos países europeus.
Ao cruzar os resultados das provas com os níveis diários de pólen na atmosfera, os pesquisadores identificaram um padrão consistente: os estudantes tendiam a obter notas um pouco mais baixas nos dias em que havia pólen no ar.
O impacto das alergias no cérebro e na concentração
A rinite alérgica, conhecida popularmente como febre do feno, é uma das alergias mais comuns do mundo. Seus sintomas incluem espirros frequentes, congestão nasal, coceira e olhos lacrimejantes.
Essas reações podem afetar a qualidade do sono, causar fadiga e dificultar a concentração — fatores que podem interferir diretamente no desempenho escolar.
Estudos anteriores já haviam demonstrado os efeitos das alergias na saúde e no bem-estar geral, mas poucos trabalhos haviam investigado sua possível influência sobre resultados acadêmicos.
Quando o pólen começa a afetar as notas
Os pesquisadores observaram que os estudantes tiveram desempenho pior tanto em dias com baixa quanto com alta concentração de pólen.
Isso pode ocorrer porque o início da temporada de pólen pega muitas pessoas de surpresa, antes que comecem a usar medicamentos antialérgicos ou adaptem suas rotinas.
Com o avanço da estação, algumas pessoas podem desenvolver uma certa adaptação ou iniciar tratamentos com anti-histamínicos, o que reduz temporariamente os sintomas.
No entanto, quando a concentração de pólen se torna muito elevada, os sintomas tendem a voltar a afetar o organismo — e, possivelmente, o desempenho cognitivo.
O tamanho real do efeito
Embora o impacto observado seja relativamente pequeno em termos individuais, ele se torna significativo quando analisado em grandes populações.
Os pesquisadores calcularam que cada aumento de 10 grãos de pólen de amieiro por metro cúbico de ar estava associado a uma redução média de 0,042 pontos nas notas dos exames (em uma escala de 1 a 66).
No caso do pólen de aveleira, o efeito foi ainda maior: cada aumento de 10 grãos estava relacionado a uma queda média de 0,17 pontos.
Durante o período analisado, alguns dias chegaram a registrar mais de 500 grãos de pólen por metro cúbico de ar.
Além disso, os resultados refletem a média de todos os estudantes, incluindo aqueles que não são alérgicos. Isso sugere que o impacto pode ser ainda maior entre alunos que sofrem diretamente com alergias.
O que as escolas podem fazer
Como se trata de um estudo observacional, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários mais trabalhos para confirmar e entender melhor essa relação.
Mesmo assim, eles acreditam que algumas medidas simples podem ajudar a reduzir o impacto do pólen em dias de prova.
Entre as sugestões estão programar exames fora do pico da temporada de pólen, informar estudantes sobre os níveis previstos dessas partículas e facilitar o acesso a medicamentos antialérgicos quando necessário.
Para os autores, garantir condições iguais durante exames importantes é fundamental.
Afinal, em um cenário ideal, algo tão comum quanto o pólen não deveria influenciar o futuro acadêmico de milhares de estudantes.