Pulsares são objetos fascinantes que emitem pulsos de rádio com regularidade impressionante. No entanto, alguns deles continuam ativos mesmo após cruzarem a chamada “linha da morte”, o ponto em que, segundo a teoria, deveriam silenciar. Uma nova hipótese vinda da China sugere que pequenas saliências em suas superfícies — montanhas de apenas um centímetro — podem ser a chave para entender esse comportamento anômalo.
Um detalhe quase invisível que pode mudar tudo

Pesquisadores da Universidade de Pequim levantaram uma teoria intrigante: a superfície dos pulsares pode não ser totalmente lisa, como antes se pensava. Em vez disso, essas estrelas de nêutrons ultra densas podem ter pequenas elevações — verdadeiras “montanhas” com até um centímetro de altura.
Essas formações, apesar de minúsculas em escala, poderiam alterar significativamente o campo elétrico nas regiões polares da estrela, permitindo que partículas continuem sendo aceleradas. É essa aceleração que gera os pulsos de rádio captados da Terra. Segundo os cientistas, isso explicaria por que alguns pulsares continuam emitindo sinais mesmo após reduzirem sua rotação ao ponto que, teoricamente, deveria torná-los inativos.
A proposta se baseia em modelagens matemáticas que simulam como essas montanhas influenciariam o ambiente ao redor da estrela. Mas há um limite: se as saliências forem maiores que um centímetro, passariam a emitir ondas gravitacionais intensas, consumindo rapidamente a energia de rotação do pulsar e desestabilizando sua estrutura.
O que essas montanhas revelam sobre o interior dos pulsares

A possível existência dessas elevações tem implicações profundas. Se elas realmente existem, significa que a superfície das estrelas de nêutrons é extremamente resistente — forte o suficiente para sustentar essas estruturas em um ambiente com pressão e gravidade absurdas.
Isso levanta a hipótese de que essas estrelas não sejam feitas apenas de nêutrons, mas sim de uma forma exótica de matéria conhecida como “strangeon”, composta por quarks mantidos juntos por uma força ainda mais intensa que a que mantém os átomos convencionais unidos.
Para testar essa ideia, os pesquisadores esperam contar com o Telescópio Esférico de Rádio de Abertura de 500 metros (FAST), o maior radiotelescópio do mundo, localizado na China. Com ele, pretendem obter dados mais precisos sobre os pulsares que ainda emitem sinais abaixo da linha da morte, como o PSR J0250+5854 e o PSR J2144-3933.
Essa investigação pode trazer descobertas não apenas sobre os pulsares, mas também sobre o comportamento da matéria em seus estados mais extremos — algo que desafia os limites atuais da física.
Em um universo de proporções colossais, pode ser justamente uma montanha de um centímetro que nos ajude a entender um dos maiores enigmas das estrelas de nêutrons.
[Fonte: Olhar digital]