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Ciência

Por que alguns abraços ficam na memória por anos? Ciência descobre o que os torna inesquecíveis

Um estudo com mais de 15 mil pessoas revelou por que certos abraços permanecem na memória durante anos. A explicação envolve emoções, empatia e conexões humanas.
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Tempo de leitura: 4 minutos

Todo mundo guarda a lembrança de pelo menos um abraço especial. Pode ter sido durante uma despedida, um reencontro ou um momento difícil. Mas por que alguns desses gestos permanecem tão vivos na memória, enquanto outros desaparecem rapidamente? Uma nova pesquisa conduzida por cientistas britânicos encontrou pistas sobre os fatores psicológicos que tornam determinados abraços inesquecíveis. E a resposta tem menos relação com a intensidade física do contato do que imaginamos.

Estudo revela por que alguns abraços são inesquecíveis

Por que alguns abraços ficam na memória por anos? Ciência descobre o que os torna inesquecíveis
© Unsplash

Pesquisadores da Universidade de Bristol, no Reino Unido, analisaram as experiências de 15.049 adultos para compreender por que determinados abraços deixam lembranças emocionais duradouras.

O estudo, publicado em 28 de outubro de 2026 na revista científica PLOS One, foi liderado pela pesquisadora Anna Lena Dueren.

Os participantes responderam a perguntas sobre experiências pessoais envolvendo contato físico e suas relações com emoções, personalidade e vínculos afetivos.

O resultado chamou a atenção: 69,5% dos entrevistados afirmaram recordar um abraço por seu impacto emocional positivo.

Entre essas pessoas, os motivos mais frequentes estavam relacionados à sensação de conforto, compreensão e apoio recebido de alguém.

A excitação física apareceu entre as razões menos mencionadas.

Isso sugere que os abraços mais marcantes não são necessariamente os mais longos ou intensos, mas aqueles que adquirem significado emocional em determinado momento da vida.

O que faz um abraço permanecer na memória?

Por que alguns abraços ficam na memória por anos? Ciência descobre o que os torna inesquecíveis
© Unsplash

Um abraço pode comunicar sentimentos difíceis de expressar verbalmente.

Durante situações de tristeza, ansiedade ou insegurança, o contato físico desejado pode transmitir acolhimento e proximidade.

Segundo os pesquisadores, essa comunicação envolve tanto a intenção de quem abraça quanto a interpretação de quem recebe o gesto.

O mesmo abraço pode despertar sensações diferentes dependendo da relação entre as pessoas, das experiências anteriores e das circunstâncias.

Para investigar essas diferenças, os cientistas utilizaram informações do Touch Test, uma ampla pesquisa britânica sobre experiências e atitudes relacionadas ao toque, divulgada pela BBC e outros meios de comunicação.

Em vez de reproduzir abraços em laboratório, a equipe analisou lembranças de situações reais.

Essa abordagem permitiu investigar o significado emocional atribuído aos encontros, embora não tenha medido diretamente os mecanismos cerebrais responsáveis pela formação das memórias.

Pessoas mais empáticas podem recordar melhor esses momentos

Outro resultado interessante envolve a personalidade.

Os pesquisadores identificaram que participantes com níveis mais elevados de empatia apresentavam uma probabilidade ligeiramente maior de recordar abraços associados a sentimentos positivos.

Algo semelhante ocorreu entre pessoas com maior percepção das próprias sensações corporais.

O estilo de apego também apresentou associações.

Participantes que demonstravam maior preocupação com a separação de pessoas próximas tinham uma tendência discretamente maior de conservar essas lembranças.

Por outro lado, indivíduos que relatavam desconforto com a proximidade emocional apresentavam uma probabilidade um pouco menor.

Essas diferenças foram pequenas e não estabelecem relações de causa e efeito.

A pesquisa também não significa que pessoas menos afeitas ao contato físico sejam incapazes de experimentar momentos emocionalmente significativos.

A pesquisa divulgada pela Universidade de Bristol destaca justamente que características individuais influenciam a maneira como cada pessoa percebe o toque.

A ciência ainda não sabe exatamente como essas memórias se formam

Apesar dos resultados, o estudo apresenta limitações importantes.

Os dados foram coletados no Reino Unido, em 2020, e aproximadamente 75% dos participantes eram mulheres. Além disso, as respostas dependiam das lembranças e percepções individuais.

Os pesquisadores não acompanharam diretamente a formação dessas memórias nem investigaram detalhadamente quem ofereceu cada abraço ou em quais circunstâncias ele aconteceu.

Também não é possível afirmar que abraçar alguém com maior frequência produz necessariamente lembranças mais duradouras.

O artigo científico original, publicado na PLOS One, ressalta que novas pesquisas precisam considerar diferenças culturais, experiências anteriores e contextos emocionais.

O segredo de um abraço inesquecível pode estar no momento certo

A pesquisa ajuda a compreender por que um gesto aparentemente simples pode adquirir tanto significado.

Um abraço durante uma despedida, uma perda ou uma conquista importante pode ser lembrado não apenas pelo contato físico, mas pelo sentimento de acolhimento associado à experiência.

Isso não significa que todas as pessoas precisem gostar de abraços. O conforto depende das preferências individuais, da relação entre os envolvidos e do consentimento.

Para os cientistas, compreender essas diferenças poderá esclarecer quando o contato físico oferece apoio emocional.

A descoberta central é que o valor de um abraço está menos em sua intensidade e mais no significado que ele assume para quem o recebe.

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