Sentir um cansaço extremo durante o dia, mesmo após uma noite completa de sono, pode ser sinal de sonolência diurna excessiva (SDE) — um distúrbio que atinge milhões de pessoas no mundo. Agora, um novo estudo europeu revela como a dieta, a genética e moléculas presentes no sangue podem influenciar diretamente esses episódios de fadiga, oferecendo pistas para prevenção e tratamento.
O que é a sonolência diurna excessiva

A SDE afeta cerca de 20% da população e provoca sintomas como:
- Necessidade frequente de cochilos;
- Adormecer facilmente durante o dia, mesmo após dormir horas suficientes à noite;
- Sono noturno prolongado que não elimina a sensação de cansaço.
Segundo o NHS britânico, a SDE é diferente de apenas “sentir-se cansado”: trata-se de um distúrbio do ciclo sono-vigília que pode gerar impactos profundos na saúde, na produtividade e na qualidade de vida.
O papel das moléculas no sangue
O estudo identificou sete moléculas metabólicas presentes em pessoas com SDE, responsáveis por influenciar os níveis de energia e o funcionamento cerebral.
De acordo com o Dr. Tariq Faquih, do Hospital Brigham and Women’s, de Boston, essas moléculas podem ser detectadas com exames específicos:
“Com as ferramentas adequadas, conseguimos medir esses níveis e identificar quais precisam de ajustes, seja com tratamentos clínicos ou mudanças na alimentação.”
Essa descoberta abre caminho para diagnósticos mais rápidos e tratamentos personalizados.
Como a dieta influencia o sono
O estudo também demonstrou que a alimentação tem um papel decisivo no risco de desenvolver SDE.
Alimentos que aumentam o risco
Ricos em tiramina, esses itens podem favorecer episódios de hipersonia:
- Queijos curados e maturados;
- Carnes defumadas;
- Bebidas alcoólicas;
- Conservas e alimentos fermentados.
A tiramina, presente em produtos envelhecidos ou processados, pode interferir na liberação de neurotransmissores relacionados ao ciclo do sono, aumentando a sonolência.
Alimentos com efeito protetor

Por outro lado, alimentos ricos em ômega-3 e ômega-6, típicos da dieta mediterrânea, foram associados a menor risco de SDE:
- Peixes gordurosos, como sardinha e salmão;
- Oleaginosas, como nozes e castanhas;
- Sementes, como linhaça e chia;
- Óleos vegetais, como azeite de oliva.
Esses nutrientes atuam na função cerebral, regulação hormonal e níveis de energia, ajudando a estabilizar o ciclo sono-vigília.
Influência genética e personalização do tratamento
Além da dieta, o estudo relacionou 42 genes ao risco aumentado de sonolência diurna. Para os especialistas, isso reforça que o tratamento deve ser personalizado, combinando:
- Detecção precoce de sintomas;
- Exames laboratoriais e testes de sono;
- Ajustes alimentares e comportamentais.
Segundo o Dr. Faquih, questionários online, como a Escala de Sonolência de Epworth, podem ajudar na avaliação inicial antes de procurar orientação médica.
Como melhorar a qualidade do sono e da vida
A pesquisa sugere que mudanças simples na rotina podem reduzir os episódios de sonolência:
- Controlar o consumo de alimentos ricos em tiramina;
- Priorizar uma dieta rica em ômega-3 e antioxidantes;
- Estabelecer horários regulares para dormir;
- Evitar estímulos artificiais à noite, como telas e cafeína;
- Procurar avaliação médica especializada em caso de cansaço persistente.
[ Fonte: Infobae ]