Janeiro costuma ser um mês morno para o terror em Hollywood, mas em 2026 a temporada começa com Primate, novo longa de Johannes Roberts (Medo Profundo, Resident Evil: Bem-vindo a Raccoon City). O filme aposta em uma trama simples e direta: um chimpanzé de estimação que, após contrair raiva, transforma um drama familiar em um banho de sangue.
Uma família, um chimpanzé e um segredo mortal
A história acompanha Lucy (Johnny Sequoyah), jovem que retorna ao Havaí para visitar o pai (Troy Kotsur) e a irmã. Com ela, vêm amigos e novas conexões, criando o cenário perfeito para reencontros, festas e, claro, tragédias.
O centro da tensão é Ben, o chimpanzé que vive com a família desde que a mãe morreu de câncer. Amoroso e comunicativo, Ben parece quase humano — até que adoece. Quando a raiva toma conta, o animal carinhoso vira predador implacável.
Da emoção ao horror visceral
O longa começa como um drama familiar sobre luto e reconexão, mas rapidamente muda de tom. A virada para o terror é abrupta, e Roberts abandona quase todas as tramas emocionais para mergulhar em um slasher animal violento.
Grande parte da ação se concentra na casa da família, especialmente na área da piscina, o que dá um ar claustrofóbico e aumenta a sensação de perigo. A cada ataque, Ben encontra uma nova forma de aterrorizar suas vítimas.
Gore prático e nostalgia
Um dos trunfos de Primate é o uso predominante de efeitos práticos para dar vida ao chimpanzé. Isso garante realismo e um toque nostálgico, lembrando clássicos do terror dos anos 1980.
As mortes são gráficas, grotescas e variadas, tornando a transição de Ben de bicho de estimação fofo a monstro repulsivo ainda mais eficaz. No início, o espectador pode até sentir pena do animal doente — mas, quando ele começa a desfigurar rostos, essa empatia desaparece.
Um vilão inteligente
O diferencial está no fato de que chimpanzés são animais extremamente inteligentes. Ben, já domesticado, usa essa astúcia para surpreender as vítimas e tornar o jogo mais imprevisível.
Ainda assim, o roteiro segue vários clichês do gênero: personagens tomando decisões idiotas, coincidências convenientes e situações repetitivas. O resultado é uma mistura de momentos criativos com passagens previsíveis.
Diversão sangrenta para começar o ano
No fim das contas, Primate não é uma obra-prima, mas entrega o que promete: menos de 90 minutos de tensão, violência gráfica e entretenimento descomplicado. Não há atuações memoráveis, mas o elenco cumpre o papel, os sustos funcionam e o ritmo mantém o público engajado.
Para um lançamento de janeiro — época em que o terror costuma decepcionar —, ser “mediano, mas divertido” já é um mérito.
Primate transforma o drama de uma família havaiana em um banho de sangue quando seu chimpanzé de estimação contrai raiva. Com efeitos práticos, mortes criativas e atmosfera sufocante, o longa dirigido por Johannes Roberts entrega exatamente o que promete: diversão sangrenta para abrir 2026 com puro horror animal.