A indústria aeroespacial global está crescendo rapidamente — e a Austrália quer fazer parte dessa corrida. Com seu primeiro foguete orbital fabricado no país, a startup Gilmour Space buscava abrir portas para lançamentos comerciais no hemisfério sul. No entanto, o tão aguardado voo inaugural do foguete Eris acabou virando manchete por um motivo inesperado. Ainda assim, o episódio marca um avanço na soberania espacial da nação.
Primeiro teste do foguete termina em fogo e fumaça
Na manhã de quarta-feira (horário local), o foguete Eris foi lançado do recém-licenciado Porto Espacial de Bowen, no norte de Queensland. Era o primeiro foguete orbital totalmente projetado e fabricado na Austrália. Com 25 metros de altura, ele deveria colocar cargas leves em órbita heliossíncrona. No entanto, o lançamento durou apenas 14 segundos.
Imagens captadas no local mostram o foguete lutando para se desprender da plataforma, até ceder ao próprio peso e cair, provocando uma grande explosão e liberando densas nuvens de fumaça. Apesar do fracasso visual, a empresa considera que o teste inicial trouxe aprendizados valiosos.
Gilmour Space valoriza os avanços obtidos
Fundada em 2012, a Gilmour Space tem ambições ousadas. A empresa destacou, em nota, que os quatro motores do Eris funcionaram durante 23 segundos e que nenhum membro da equipe ficou ferido. Esses dados são considerados positivos para um primeiro teste.
Com o apoio de US$ 36 milhões em investimentos e uma licença oficial obtida em 2024, a empresa australiana está determinada a desenvolver um sistema de lançamentos viável e independente.
TestFlight1 — Liftoff 🚀
Today, Eris became the first #AustralianMade orbital rocket to launch from Australian soil — ~14s of flight, 23s engine burn.
Big step for 🇦🇺 launch capability. Team safe, data in hand, eyes on TestFlight 2.
(More pics and vids to come from the media.) pic.twitter.com/l9yPSUAIbR
— Gilmour Space (@GilmourSpace) July 30, 2025
Desafios climáticos e técnicos atrasaram a missão
O caminho até o lançamento não foi fácil. O voo inaugural sofreu diversos adiamentos. Em março, um ciclone tropical forçou a suspensão da operação. Em maio, uma falha técnica fez com que a carga fosse liberada antes da decolagem. Até mesmo em junho, o clima voltou a atrapalhar os planos da equipe.
Esses obstáculos, no entanto, fazem parte do processo de desenvolvimento espacial — uma jornada complexa e cheia de riscos.
O futuro do programa espacial australiano
Embora o resultado do lançamento não tenha sido o desejado, a Gilmour Space já está se preparando para um segundo teste. A empresa quer aproveitar as vantagens geográficas da Austrália, como vastas áreas desabitadas e acesso privilegiado a órbitas estratégicas, para se posicionar no mercado de lançamentos.
O Porto Espacial de Bowen, utilizado no teste, é o primeiro com licença comercial do país — um passo importante para tornar a Austrália uma nova potência espacial no hemisfério sul.