Com as chuvas de verão voltando com força, os raios voltam a assustar os brasilienses. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o Brasil é o país com maior incidência de descargas elétricas do planeta, com uma média de 78 milhões de raios por ano atingindo o solo.
No Distrito Federal, o início de 2025 já trouxe 18.148 registros — 16 mil só em janeiro. E o número só deve crescer. As consequências vão muito além do espetáculo no céu: em média, 113 brasileiros morrem e 500 ficam feridos por raios a cada ano, a maioria por correntes indiretas que se propagam pelo solo.
Brasil, o país dos raios

De acordo com o Grupo de Eletricidade Atmosférica (ELAT/INPE), os raios são descargas elétricas intensas que chegam a 30 mil ampères — mais de mil vezes a potência de um chuveiro elétrico.
Essas descargas podem sair do solo para a nuvem (ascendentes) ou vir da nuvem para o solo (descendentes). O clarão é seguido pelo trovão, resultado do deslocamento brusco do ar aquecido pela descarga — som que pode ser ouvido a quilômetros de distância.
Embora a chance de ser atingido diretamente por um raio seja menor que uma em um milhão, os riscos crescem em áreas abertas, campos, praias e durante tempestades fortes. E mesmo sem contato direto, é possível se ferir com descargas secundárias, como a eletricidade que viaja por objetos metálicos, cercas e até o chão.
Riscos para pessoas, animais e o meio ambiente
Além de causar queimaduras e paradas cardíacas, os raios provocam danos em redes elétricas, incêndios e quedas de energia. No campo, o impacto é ainda mais perigoso: rebanhos próximos a cercas metálicas podem ser atingidos e morrer instantaneamente.
O fenômeno também influencia o ambiente natural. No Cerrado, por exemplo, os raios podem iniciar queimadas que fazem parte do ciclo natural do bioma, mas, quando ocorrem em excesso, ameaçam a fauna e a flora.
Como agir durante uma tempestade
O Corpo de Bombeiros do DF alerta: segurança é a prioridade. Se houver fios caídos ou alagamentos, não tente se aproximar nem remover objetos. “A eletricidade pode se propagar a metros de distância. O ideal é isolar a área e acionar imediatamente os bombeiros e a distribuidora de energia”, diz a corporação.
Locais sem proteção contra raios, como barracos, galpões, quadras abertas ou estacionamentos, devem ser evitados. Árvores isoladas e piscinas também são pontos de risco. O ideal é buscar abrigo em locais fechados, como shoppings, mercados ou prédios com para-raios.
O engenheiro eletricista Thiago Starck reforça que a prioridade é proteger a vida. “Durante uma tempestade, o pior lugar é a céu aberto. Mesmo dentro de casa, tire os eletrônicos da tomada — a descarga pode danificar geladeiras, TVs e computadores”, explica.
Protegendo sua casa e seus equipamentos
Segundo Starck, toda construção — seja casa ou prédio — deve ser avaliada para a instalação de um Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA), o famoso para-raios. Ele funciona como um ponto preferencial para a incidência das descargas, desviando a energia e evitando danos estruturais.
Além disso, dispositivos de proteção contra surtos (DPS) ajudam a proteger eletrodomésticos e equipamentos eletrônicos de picos de energia causados por raios na rede elétrica.
Mas o especialista lembra: nenhuma tecnologia substitui o cuidado humano. “Se começou a chover forte, desconecte aparelhos da tomada e evite usar telefone fixo ou chuveiro elétrico durante tempestades”, alerta.
Dicas da Defesa Civil para se proteger
A Defesa Civil do DF recomenda cuidados antes, durante e depois das chuvas:
Antes da tempestade:
- Reforce o telhado e retire entulhos do quintal;
- Guarde documentos e objetos de valor em locais altos e protegidos;
- Desligue aparelhos elétricos e o quadro geral de energia.
Durante:
- Fique em local coberto e longe de janelas;
- Evite contato com água da chuva ou de enchentes;
- Não se abrigue sob árvores nem toque em estruturas metálicas.
Depois:
- Espere as águas baixarem antes de retornar para casa;
- Desinfete objetos que entraram em contato com a enchente;
- Evite usar aparelhos elétricos molhados.
Entenda por que o Brasil tem tantos raios
O território brasileiro está na zona tropical do planeta, onde o calor e a umidade alta criam o cenário ideal para tempestades. As nuvens cumulonimbus, típicas dessa época do ano, formam-se com o atrito entre partículas de gelo e água, gerando cargas elétricas que, ao se desequilibrar, produzem o raio.
Essas condições tornam os meses de novembro a março os mais perigosos para quem vive em regiões de clima quente e úmido — especialmente no Centro-Oeste, Sudeste e Norte.
Os raios são uma força natural impressionante — e inevitável. Mas, com informação e prevenção, é possível reduzir os riscos. Quando o céu escurecer e os trovões começarem a ecoar, o melhor abrigo ainda é o cuidado.
[Fonte: Correio Braziliense]