A morte da brasileira Juliana Marins, que caiu em uma vala durante a subida ao Monte Rinjani, na Indonésia, acendeu um alerta sobre os perigos da trilha. O montanhista Carlos Santalena, recordista de ascensões ao Everest entre os brasileiros, falou sobre o tema no podcast O Assunto, da Globo. Ele descreveu o ambiente como traiçoeiro, com clima instável, solo escorregadio e baixa infraestrutura para receber trilheiros.
Clima quente, úmido e imprevisível

Carlos Santalena esteve no Rinjani em 2015, durante as gravações do programa Planeta Extremo. Segundo ele, a experiência foi marcada por temperaturas elevadas, sensação térmica sufocante e chuvas constantes. “É um ambiente onde você sente o calor vindo do chão”, relata.
A região de Lombok, onde fica o monte, está na zona tropical e é conhecida pela alta umidade. Chove quase todos os dias, o que afeta diretamente as condições do terreno. Carlos conta que, à época, sua equipe esperou dois dias até que o clima permitisse a subida com segurança.
Trilha técnica e com solo instável
O início da trilha é em floresta fechada e em baixa altitude, mas o percurso exige cerca de seis horas de caminhada até um platô a 2.000 metros. A partir daí, o terreno muda drasticamente. Por estar sobre uma caldeira vulcânica, o solo é formado por rochas porosas e leves — o que compromete a estabilidade.
“Você patina sobre a rocha e acaba perdendo o passo. É um chão que engana”, explica Santalena. Apesar de não haver muitos abismos expostos, há trechos estreitos e delicados, exigindo atenção redobrada, especialmente para quem não tem experiência prévia em montanhismo.
Estrutura precária para trilheiros
Outro fator de risco, segundo o montanhista, é a infraestrutura limitada. Carlos define a região como “mais precária”, com pouca estrutura de apoio ao visitante. Os acampamentos contam apenas com barracas simples, sem abrigo adequado em caso de mudança brusca no tempo.
Ele ressalta que o Rinjani não é uma montanha exclusiva para alpinistas experientes, mas exige planejamento. “Uma pessoa inexperiente pode sim fazer a trilha, mas precisa receber informações completas, estar com o equipamento correto e ter acompanhamento profissional”, afirma.
Uma montanha que exige respeito
Carlos Santalena não considera o Rinjani uma escalada de alta complexidade técnica. No entanto, sua combinação de clima instável, terreno traiçoeiro e infraestrutura limitada transforma a aventura em um desafio real — especialmente para quem subestima a montanha.
A trágica morte de Juliana Marins é um lembrete de que trilhas turísticas, mesmo populares, podem esconder riscos significativos. Preparação, informação e respeito ao ambiente são fundamentais para garantir a segurança de qualquer expedição.
[ Fonte: G1.Globo ]