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Ciência

Retorno do homem à Lua: Nasa inicia preparativos finais para a missão Artemis II

A agência espacial dos Estados Unidos começa a mover o foguete SLS para a plataforma de lançamento na Flórida. A missão, prevista para fevereiro, levará quatro astronautas a uma viagem histórica ao redor da Lua, retomando voos tripulados ao satélite após mais de 50 anos.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A Nasa deu início neste sábado (17) aos preparativos finais para uma missão que marca um novo capítulo na exploração espacial. Trata-se da Artemis II, voo tripulado que levará astronautas novamente à Lua pela primeira vez desde 1972, quando a missão Apollo 17 encerrou a era das viagens lunares humanas.

Previsto para decolar em 6 de fevereiro, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, o lançamento será precedido por uma série de etapas logísticas e técnicas consideradas críticas. Entre elas está o deslocamento do foguete Space Launch System (SLS), acoplado à cápsula Orion, do Edifício de Montagem de Veículos até a Plataforma de Lançamento 39B — um trajeto que leva várias horas e simboliza a transição da missão para sua fase decisiva.

Uma missão histórica após mais de cinco décadas

Programa Artemis
© Eurekablog – X

A Artemis II será a primeira missão tripulada do novo programa lunar da Nasa. Ao contrário da Artemis I, realizada sem astronautas em 2022, este voo contará com quatro tripulantes a bordo, que viajarão até a órbita da Lua e retornarão à Terra.

A equipe é formada pelos astronautas Reid Wiseman, comandante da missão; Victor Glover, piloto; Christina Koch, especialista de missão; e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense, que se tornará o primeiro canadense a viajar à Lua.

O objetivo principal não é pousar no solo lunar, mas testar, em condições reais, todos os sistemas necessários para futuras missões tripuladas, incluindo aquelas que devem levar astronautas à superfície da Lua e, mais adiante, a Marte.

O foguete SLS e a cápsula Orion

No centro da missão está o Space Launch System, o foguete mais poderoso já desenvolvido pela Nasa. Com mais de 98 metros de altura, o SLS foi projetado para transportar cargas pesadas e tripulações além da órbita terrestre baixa, algo essencial para missões no espaço profundo.

Acoplada ao topo do foguete, a cápsula Orion será a “casa” dos astronautas durante a viagem. Ela foi concebida para suportar longos períodos no espaço, proteger a tripulação da radiação e reentrar na atmosfera terrestre a velocidades extremamente altas, superiores às enfrentadas por cápsulas usadas em missões à Estação Espacial Internacional.

A viagem ao redor da Lua

A trajetória planejada para a Artemis II permitirá que a Orion viaje cerca de 7.560 quilômetros além do lado oculto da Lua. Esse ponto extremo da missão oferecerá uma vista rara: a Lua em primeiro plano e a Terra ao fundo, a quase 400 mil quilômetros de distância.

A viagem de ida e volta deve durar aproximadamente quatro dias, utilizando a interação gravitacional entre a Terra e a Lua para o retorno, sem a necessidade de grandes manobras adicionais de propulsão. No total, a missão terá cerca de 10 dias de duração.

Durante esse período, os astronautas irão avaliar sistemas de comunicação, navegação, suporte à vida e procedimentos de emergência — dados essenciais para garantir a segurança das próximas etapas do programa Artemis.

Janelas de lançamento e possíveis adiamentos

Embora a data-alvo seja 6 de fevereiro, a Nasa trabalha com uma janela inicial de lançamento que vai até o dia 11 do mesmo mês. Caso condições técnicas ou climáticas impeçam a decolagem nesse intervalo, uma nova tentativa está prevista para a primeira semana de março.

Esse tipo de flexibilidade é comum em missões espaciais de grande porte, especialmente em voos tripulados, nos quais segurança e confiabilidade são prioridades absolutas.

Um passo rumo à Lua — e além

O mistério da Lua desigual: a pista escondida no seu lado mais secreto
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A Artemis II faz parte de uma estratégia mais ampla da Nasa, que busca estabelecer uma presença humana sustentável na Lua. A agência vê o satélite natural como um laboratório para descobertas científicas, oportunidades econômicas e testes de tecnologias que serão fundamentais para missões tripuladas a Marte.

Mais do que repetir feitos do passado, o programa Artemis pretende abrir caminho para uma nova era da exploração espacial. O início dos preparativos finais para o lançamento da Artemis II sinaliza que, mais de meio século depois, o retorno do ser humano à Lua deixou de ser apenas um plano e se aproxima, novamente, da realidade.

 

[ Fonte: CNN Brasil ]

 

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