À medida que 2026 se aproxima, cresce a ansiedade entre estudantes e recém-formados: que carreira escolher em um mundo cada vez mais dominado pela inteligência artificial? Para Sam Altman, CEO da OpenAI e uma das vozes mais influentes do setor, essa dúvida é legítima. Em entrevistas recentes, ele foi direto ao apontar quais profissões já estão sendo superadas pela IA — e quais ainda têm espaço garantido no futuro.
A profissão que a IA já faz melhor do que humanos

Em uma entrevista concedida ao apresentador Tucker Carlson, Sam Altman afirmou que trabalhos ligados ao suporte ao cliente — tanto atendimento telefônico quanto suporte técnico e informático — estão entre os primeiros a desaparecer.
Segundo ele, a razão é simples: a IA já executa essas tarefas com mais eficiência, rapidez e menor custo do que pessoas. Sistemas automatizados conseguem responder dúvidas, solucionar problemas técnicos básicos, lidar com grandes volumes de solicitações e operar 24 horas por dia, sem fadiga.
Essa visão não surge apenas de intuição. Uma pesquisa global da Salesforce reforça o alerta: atualmente, 32% dos atendimentos ao cliente já são realizados por inteligência artificial, e a projeção é que esse número chegue a 55% até 2027. Mais do que substituir pessoas, a IA está redefinindo como equipes de atendimento organizam seu tempo e suas carreiras.
Automação não é o fim do trabalho — mas muda o jogo

Apesar do tom direto ao falar sobre profissões ameaçadas, Altman evita previsões apocalípticas. Ele reconhece que a automação elimina tarefas repetitivas, mas acredita que o mercado de trabalho tende a se reorganizar, não simplesmente encolher.
O executivo cita a capacidade de adaptação da sociedade como um fator-chave, lembrando da resposta global durante a pandemia de COVID-19. Para ele, mudanças rápidas não significam necessariamente desemprego em massa, mas sim transformações profundas no tipo de trabalho que será valorizado.
Na visão de Altman, a inteligência artificial representa uma “enorme subida de nível” para a humanidade, ao permitir que bilhões de pessoas se tornem mais produtivas, criativas e até acelerem descobertas científicas.
Onde o fator humano ainda é insubstituível
Mesmo diante de previsões mais radicais — como as de Elon Musk, que afirma que a IA “em breve superará médicos e advogados por uma ampla margem” — Altman adota uma postura mais cautelosa.
Ele argumenta que profissões que exigem interação humana profunda, julgamento complexo e empatia, como as da área médica, tendem a resistir melhor à automação. Diagnósticos delicados, decisões éticas e relações humanas ainda são domínios onde a tecnologia enfrenta limites claros.
Um exemplo citado por Altman é o da programação. Embora a IA já consiga gerar grandes volumes de código, os programadores humanos se tornaram mais produtivos justamente por saberem orientar, revisar e contextualizar esse código. O resultado não é a extinção da profissão, mas sua evolução.
Os riscos reais da inteligência artificial
Altman também não ignora os riscos. Para ele, as maiores ameaças não estão no que já conhecemos, mas nas chamadas “incógnitas desconhecidas”. Entre seus temores estão o uso da IA para facilitar o desenvolvimento de armas biológicas ou até de pandemias semelhantes à COVID-19.
Outro ponto crítico é a capacidade da IA de gerar imagens, áudios e textos praticamente indistinguíveis da realidade. Esse avanço pode tornar cada vez mais difícil separar o que é verdadeiro do que é falso, abrindo espaço para fraudes, manipulação e desinformação em escala inédita.
Como resposta, Altman defende mecanismos de verificação, como assinaturas criptográficas em mensagens importantes e sistemas de autenticação baseados em palavras-chave, capazes de reduzir golpes e abusos.
Bill Gates concorda — e aponta áreas com futuro
A visão de Altman encontra eco em outros líderes do setor. Bill Gates, por exemplo, afirma que há pelo menos três áreas onde o papel humano seguirá sendo essencial: programação, biologia e energia.
Segundo Gates, embora a IA escreva código, ela ainda depende de supervisão humana especializada para garantir segurança, confiabilidade e adaptação a contextos específicos — especialmente em setores críticos como saúde e infraestrutura digital.
Na biologia, disciplinas como edição genética, biotecnologia e medicina personalizada exigem criatividade científica para lidar com problemas inéditos, como novas doenças e pandemias. Já no setor energético, a crise climática torna indispensável o trabalho humano no desenvolvimento de soluções como hidrogênio verde e captura de carbono.
Escolher uma carreira em tempos de IA
A mensagem que emerge dessas análises é clara: não basta escolher uma profissão — é preciso escolher habilidades. Trabalhos baseados apenas em tarefas repetitivas e previsíveis estão sob ameaça direta. Já áreas que combinam criatividade, pensamento crítico, ética e compreensão humana tendem a ganhar ainda mais valor.
Para quem pensa no futuro, o conselho implícito de Sam Altman não é fugir da tecnologia, mas aprender a trabalhar com ela. Afinal, em 2026, o maior risco talvez não seja a IA tirar seu emprego — mas ignorar o quanto ela já mudou o mundo do trabalho.
[ Fonte: Infobae ]