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Tecnologia

Sam Altman diz que IA não vai realizar a promessa de trabalharmos apenas quatro horas por semana

A inteligência artificial prometia aumentar tanto a produtividade que trabalhar menos se tornaria quase inevitável. Para Sam Altman, CEO da OpenAI, porém, a história mostra justamente o contrário: novas tecnologias aumentam nossas capacidades, mas também criam novas tarefas e expectativas.
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Tempo de leitura: 3 minutos

A inteligência artificial se tornou uma das tecnologias mais importantes dos últimos anos. Empresas estão incorporando essas ferramentas aos seus processos, enquanto milhões de pessoas já utilizam sistemas de IA para trabalhar, estudar, programar e produzir conteúdo.

Com essa transformação, uma antiga discussão voltou a ganhar força: se conseguimos realizar determinadas tarefas em menos tempo, por que continuar trabalhando a mesma quantidade de horas?

Para Altman, a resposta está menos na tecnologia e mais no comportamento humano.

Sam Altman não acredita na semana de quatro horas

Sam Altman
© Anna Moneymaker/Getty Images

Durante uma entrevista ao podcast Relentless, repercutida pelo Futurism, Altman lembrou que a promessa de jornadas de trabalho drasticamente menores acompanha praticamente todas as grandes revoluções tecnológicas.

Até agora, porém, isso nunca aconteceu em grande escala.

“De alguma forma, nunca vemos a promessa da semana de trabalho de quatro horas se concretizar em grande escala na sociedade”, afirmou o executivo.

“E não espero que a IA mude isso”, acrescentou.

A ideia é bastante diferente de uma das previsões mais populares sobre a inteligência artificial generativa.

Desde a popularização dessas ferramentas, especialistas e líderes da indústria frequentemente destacam que a automação poderia assumir tarefas repetitivas e aumentar drasticamente a produtividade. Como consequência, trabalhadores poderiam realizar a mesma quantidade de trabalho em muito menos tempo.

Altman acredita que a primeira parte dessa previsão provavelmente acontecerá. O problema está na segunda.

Quanto mais produtivos ficamos, mais trabalho aparece

Segundo a visão do CEO da OpenAI, quando uma tecnologia permite economizar tempo, a sociedade tende a preencher esse espaço com novas atividades.

Uma tarefa que anteriormente demorava cinco horas pode passar a levar apenas uma. Mas isso não significa necessariamente que as quatro horas restantes serão transformadas em tempo livre.

Novas tarefas, projetos, responsabilidades e expectativas acabam ocupando esse período.

Esse fenômeno não começou com a inteligência artificial. Computadores, internet, smartphones e diferentes ferramentas de automação tornaram trabalhadores muito mais produtivos do que eram algumas décadas atrás.

Mesmo assim, jornadas extremamente curtas nunca se tornaram o padrão da sociedade.

Para Altman, não existem motivos suficientes para acreditar que a IA será diferente.

A superinteligência pode nos deixar ainda mais ocupados

Robo Inteligencia Artificial Trabalho
© VesnaArt (Shutterstock)

Altman vai ainda mais longe quando imagina um futuro no qual sistemas de inteligência artificial sejam muito mais capazes do que os atuais.

Em vez de uma sociedade dominada pelo tempo livre, ele prevê pessoas ainda mais ocupadas.

“Acho que todos estaremos muito mais ocupados do que imaginávamos em um mundo pós-superinteligência”, afirmou.

O executivo acredita que as pessoas continuarão encontrando novos desafios e objetivos conforme suas capacidades aumentarem.

Segundo Altman, podemos até continuar reclamando sobre a quantidade de trabalho, mas, “secretamente, seremos felizes” porque sempre existirão novas coisas que desejaremos realizar.

A lógica é que as ambições humanas não permanecem estáticas. Quando uma barreira desaparece, outra meta surge.

A IA pode mudar o trabalho sem necessariamente reduzi-lo

Isso não significa que a inteligência artificial terá pouco impacto sobre o mercado de trabalho.

Pelo contrário.

Ferramentas de IA já conseguem automatizar partes de atividades relacionadas a programação, atendimento ao cliente, análise de dados, produção de textos e inúmeras outras funções.

À medida que esses sistemas evoluírem, determinadas tarefas poderão exigir uma fração do tempo necessário atualmente.

A questão levantada por Altman é outra: o tempo economizado será realmente convertido em lazer?

Sua previsão é que, na maioria das situações, não.

Empresas poderão aproveitar os ganhos de produtividade para aumentar sua produção. Profissionais poderão assumir mais projetos. E novas profissões e atividades poderão surgir justamente porque a tecnologia tornou possíveis coisas que antes eram inviáveis.

A semana de quatro dias mostra outro caminho

A discussão, porém, está longe de encerrada.

Experimentos realizados em diferentes países com semanas de trabalho de quatro dias mostraram que reduzir a jornada sem diminuir salários pode funcionar em determinados setores.

Alguns desses testes registraram melhora no bem-estar dos funcionários enquanto mantiveram ou até aumentaram os níveis de produtividade.

Isso sugere que a tecnologia não determina sozinha quanto tempo uma sociedade dedica ao trabalho. Decisões empresariais, culturais, econômicas e políticas também desempenham um papel importante.

A previsão de Altman parte principalmente de uma observação sobre o comportamento humano: sempre que nossas capacidades aumentam, nossas ambições tendem a crescer junto com elas.

A IA pode fazer em minutos tarefas que antes consumiam horas. Mas isso não significa necessariamente que vamos fechar o computador mais cedo. Se Altman estiver certo, provavelmente usaremos o tempo economizado para encontrar ainda mais coisas para fazer.

 

[ Fonte: Clarín ]

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