Pular para o conteúdo
Tecnologia

Não basta dominar tecnologia: a habilidade que virou prioridade nas contratações

Conhecimento técnico continua abrindo portas, mas empresas passaram a procurar competências que raramente aparecem nos diplomas e que podem determinar quem realmente está preparado para o mercado.
Por

Tempo de leitura: 4 minutos

Ter diploma, dominar ferramentas digitais e acumular cursos continua sendo importante para conquistar uma vaga. Mas uma transformação silenciosa está acontecendo nos processos seletivos. Empresas passaram a observar características que dificilmente aparecem em certificados e que, segundo especialistas em educação e recrutamento, estão faltando em parte dos profissionais mais jovens. O problema é que essas competências podem fazer tanta diferença quanto o conhecimento técnico na hora de conseguir e manter um emprego.

O currículo técnico já não conta toda a história

O mercado de trabalho atravessa mudanças cada vez mais rápidas. Novas tecnologias surgem, profissões são transformadas e atividades que há poucos anos exigiam conhecimento especializado começam a ser automatizadas.

Nesse cenário, cursos ligados às áreas digitais e produtivas ganharam espaço entre jovens interessados em acelerar a entrada no mercado. São formações que normalmente acompanham com maior velocidade as novas necessidades das empresas e oferecem conhecimentos diretamente aplicáveis ao cotidiano profissional.

Mas existe uma questão que começa a preocupar empregadores.

Saber utilizar determinada ferramenta, dominar um software ou possuir formação técnica já não significa necessariamente estar preparado para trabalhar dentro de uma organização.

Empresas passaram a prestar cada vez mais atenção às chamadas habilidades comportamentais, também conhecidas pelo termo inglês soft skills.

Não basta dominar tecnologia: a habilidade que virou prioridade nas contratações
© Mimi Thian – Unsplash

Comunicação, capacidade de adaptação, colaboração, criatividade e resolução de problemas estão entre as competências mais procuradas.

O paradoxo é que justamente essas características parecem estar se tornando mais difíceis de encontrar entre parte dos candidatos mais jovens.

Alguns especialistas chegam a descrevê-las como “habilidades perdidas”, não porque tenham desaparecido completamente, mas porque muitos estudantes chegam ao mercado com pouca experiência prática em situações que exigem negociação, comunicação e trabalho coletivo.

A habilidade que nenhuma tecnologia entrega pronta

As soft skills correspondem a um amplo conjunto de competências pessoais e sociais que determinam como alguém se comporta diante de outras pessoas e de situações inesperadas.

Inteligência emocional, pensamento crítico, resiliência, responsabilidade, comunicação assertiva e capacidade de lidar com mudanças fazem parte desse grupo.

Elas são diferentes das chamadas hard skills, relacionadas aos conhecimentos técnicos necessários para executar uma atividade específica.

Durante muito tempo, saber fazer determinada tarefa era suficiente para conquistar espaço profissional. Hoje, as empresas também querem entender como o candidato trabalha.

Ele consegue explicar uma ideia com clareza? Sabe receber críticas? Consegue colaborar com pessoas que pensam de maneira diferente? Assume responsabilidades quando algo dá errado? Encontra soluções diante de situações inesperadas?

Essas perguntas ganharam importância justamente porque produtividade não depende apenas de conhecimento técnico.

Uma equipe formada por profissionais altamente qualificados pode enfrentar dificuldades se seus integrantes não conseguirem compartilhar informações, organizar responsabilidades ou resolver conflitos.

E existe outro elemento que tornou essa discussão ainda mais relevante: a pandemia.

A pandemia pode ter deixado uma marca inesperada

Não basta dominar tecnologia: a habilidade que virou prioridade nas contratações
© Chris Montgomery – Unsplash

Parte das habilidades sociais é desenvolvida quase silenciosamente durante a formação escolar e universitária.

Conviver diariamente com colegas, participar de trabalhos em grupo, conversar presencialmente com professores, apresentar projetos e resolver pequenos conflitos são experiências que ajudam a construir competências importantes para a vida profissional.

Durante a pandemia, milhões de estudantes passaram longos períodos estudando remotamente.

A tecnologia permitiu manter as atividades educacionais, mas determinadas experiências de convivência foram inevitavelmente reduzidas.

Para especialistas em educação, essa interrupção pode ter contribuído para dificuldades que agora aparecem quando alguns jovens chegam ao mercado.

A individualização crescente das rotinas também entra nessa discussão. Trabalhar sozinho pode funcionar muito bem em determinadas atividades, especialmente com ferramentas digitais. Dentro de empresas, porém, boa parte dos resultados continua dependendo da capacidade de colaborar.

Por isso, algumas instituições de ensino começaram a apostar em experiências práticas que colocam estudantes diante de desafios coletivos.

Hackathons, projetos multidisciplinares, trabalhos colaborativos e atividades baseadas em resolução de problemas são exemplos dessa estratégia.

O treinamento que começa fora da sala de aula tradicional

A lógica dessas iniciativas é relativamente simples: habilidades comportamentais dificilmente são desenvolvidas apenas por meio de teoria.

Para aprender colaboração, é preciso colaborar.

Para melhorar a comunicação, é necessário explicar ideias, ouvir opiniões diferentes e defender decisões.

Para desenvolver criatividade, é preciso enfrentar problemas cuja resposta não esteja pronta em uma apostila.

É por isso que projetos que misturam estudantes de diferentes áreas vêm ganhando espaço. Ao reunir perfis técnicos, criativos e acadêmicos em torno de um mesmo desafio, essas experiências reproduzem parte das situações encontradas dentro das empresas.

O objetivo não é abandonar o conhecimento técnico. Pelo contrário.

A proposta é combinar competências.

Quanto mais tecnologias assumem atividades repetitivas e processos operacionais, maior tende a ser a importância das características humanas que continuam difíceis de automatizar.

Saber programar, analisar dados, operar máquinas ou dominar ferramentas digitais continuará sendo valioso. Mas conseguir comunicar uma ideia, trabalhar com pessoas diferentes, adaptar-se rapidamente e encontrar soluções quando algo sai do planejado pode se tornar o verdadeiro diferencial.

No mercado de trabalho que está surgindo, talvez a habilidade mais importante não seja simplesmente saber fazer alguma coisa.

Pode ser saber fazer alguma coisa junto com outras pessoas.

[Fonte: mdz]

Partilhe este artigo

Artigos relacionados