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Schoenstatt: o movimento católico ligado ao novo presidente do Chile

A vitória de José Antonio Kast colocou novamente sob os holofotes um movimento religioso pouco conhecido fora dos círculos católicos: o Schoenstatt. Ultraconservador para críticos, discreto para seus membros, o grupo ganhou atenção internacional após denúncias de abuso envolvendo seu fundador — e por sua presença crescente na política chilena e também no Brasil.
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Fé no centro do discurso político

Logo após o resultado das eleições, Kast deixou clara a centralidade da religião em sua trajetória. Em um discurso de quase uma hora, fez diversas referências a Deus e afirmou que nada em sua vida estaria fora dessa relação de fé. Não foi surpresa para quem conhece sua história familiar: ele e seus irmãos foram criados sob as diretrizes do Schoenstatt, movimento católico presente em mais de 100 países.

O que é o Schoenstatt

Fundado em 1914, na Alemanha, pelo padre José Kentenich, o Schoenstatt se define como um movimento de renovação dentro da Igreja Católica, com forte devoção mariana. Seu objetivo declarado é formar “um novo homem e uma nova comunidade” a serviço da sociedade.

Diferente de ordens religiosas tradicionais, o grupo reúne leigos e religiosos, com estruturas próprias e relativa autonomia em relação à hierarquia eclesiástica. Uma de suas marcas é a construção de réplicas idênticas de seus santuários pelo mundo — hoje, são cerca de 200.

Conservador, mas diferente do Opus Dei

Comparações com a Opus Dei são frequentes. Especialistas apontam semelhanças morais, especialmente no rigor ético e sexual. A diferença, segundo estudiosos, é que o Schoenstatt historicamente não buscou influência direta na política, priorizando a vida familiar e comunitária.

No Chile, antes de Kast, apenas um membro do movimento ocupou cargo de grande destaque: seu irmão Miguel Kast, durante a ditadura de Augusto Pinochet.

Acusações contra o fundador

A imagem do movimento mudou após a publicação de pesquisas da historiadora Alexandra von Teuffenbach, que apontam abusos cometidos por Kentenich nos anos 1940. Os relatos se baseiam em documentos do Vaticano e investigações internas da Igreja.

Embora o Schoenstatt negue as acusações, elas levaram à paralisação do processo de beatificação do fundador, iniciado em 1975. Para críticos, o caso revela problemas estruturais de poder e controle dentro do movimento.

Presença na América Latina — e no Brasil

A América do Sul foi a primeira região fora da Europa a receber o Schoenstatt. Hoje, o grupo atua em praticamente toda a região, com dezenas de santuários, escolas e iniciativas sociais — inclusive no Brasil.

Com Kast prestes a assumir a presidência em 2026, o movimento volta ao centro do debate público. A questão agora é entender até que ponto essa influência religiosa pode — ou não — se refletir nas decisões políticas de um dos países mais importantes da América do Sul.

[Fonte: Correio Braziliense]

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