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Prisões de segurança máxima e deportações: o plano de Kast no Chile

A vitória de José Antonio Kast nas eleições presidenciais do Chile marca uma virada política no país e reacende debates intensos sobre segurança, imigração e economia. Com um discurso duro e promessas de “ordem” em meio ao medo da criminalidade, o presidente eleito chega ao poder cercado de expectativas, críticas e comparações com outros líderes da direita radical.
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Tempo de leitura: 3 minutos

Segurança vira eixo central do novo governo

Desde o início da campanha, José Antonio Kast deixou claro que a segurança pública seria a prioridade absoluta de seu governo. O agora presidente eleito defendeu a criação de um “governo de emergência” para enfrentar o aumento da criminalidade no Chile, um tema que mobilizou eleitores de diferentes regiões.

Entre as propostas estão a construção de prisões de segurança máxima, o endurecimento das penas para crimes graves e o fim dos chamados “narcofunerais”, cerimônias ligadas ao crime organizado que se tornaram símbolo da violência urbana. Kast também propôs revisar a aplicação da legítima defesa e criar uma força especial para recuperar áreas dominadas por grupos criminosos.

“O Chile voltará a ser um país seguro”, afirmou durante a campanha, em uma frase que se tornou um dos slogans centrais de sua candidatura.

Deportações e imigração sob linha-dura

Prisões de segurança máxima e deportações: o plano de Kast no Chile
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Outro ponto sensível do plano de Kast envolve a imigração. O presidente eleito prometeu deportações em massa de imigrantes em situação irregular, incluindo o uso de voos fretados para devolvê-los a seus países de origem. Segundo ele, parte do custo dessas operações poderia ser arcada pelos próprios deportados.

A proposta faz parte do chamado Plano Escudo Fronteiriço, que prevê o fechamento das fronteiras em áreas consideradas vulneráveis à entrada irregular. Kast também defende que a imigração irregular passe a ser crime e que estrangeiros sem documentação percam acesso a benefícios básicos do Estado, como saúde, educação e moradia.

Nos dias finais da campanha, porém, o discurso foi parcialmente suavizado. Kast declarou que as deportações no Chile não seguiriam o modelo adotado pelos Estados Unidos e afirmou que não pretende arcar com os custos dessas operações, levantando dúvidas sobre a viabilidade prática das medidas.

Ajuste fiscal e promessas econômicas

Na economia, Kast aposta em uma agenda de austeridade. Ele prometeu reduzir os gastos públicos em cerca de US$ 6 bilhões em até 18 meses, o equivalente a mais de R$ 30 bilhões. Economistas e analistas questionam a viabilidade de um corte dessa magnitude sem afetar políticas sociais.

O presidente eleito garante que benefícios como a Pensão Garantida Universal serão preservados, mas ainda não explicou de forma detalhada como pretende equilibrar as contas sem impacto direto sobre programas sociais.

No campo tributário, Kast anunciou a redução do imposto corporativo para grandes e médias empresas, de 27% para 23%, além da possível eliminação do imposto sobre ganhos de capital na venda de ações em determinadas situações.

Silêncios estratégicos e comparações internacionais

Diferentemente de eleições anteriores, Kast evitou abordar temas como aborto, casamento homoafetivo e as violações de direitos humanos durante a ditadura de Augusto Pinochet. No passado, ele já havia feito declarações favoráveis a políticas do regime, o que continua gerando críticas e desconfiança.

Seu plano de governo rendeu comparações com líderes como Javier Milei, Donald Trump e Jair Bolsonaro. No cenário internacional, Kast adotou um discurso firme ao comentar uma eventual intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, citando o lema chileno “Pela razão ou pela força”.

Sobre Nayib Bukele, presidente de El Salvador e símbolo de políticas de segurança linha-dura, Kast afirmou que, se os chilenos votassem hoje com o nome de Bukele na cédula, ele venceria a eleição.

A vitória de Kast inaugura um novo capítulo na política chilena. Resta saber até que ponto suas promessas de segurança máxima, deportações e austeridade fiscal sairão do discurso e se tornarão políticas concretas — e qual será o custo social desse caminho.

[Fonte: Correio Braziliense]

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