As eleições presidenciais de 2022 foram marcadas por tensão, polarização e bastidores ainda pouco revelados. Um desses bastidores veio à tona com a divulgação de áudios do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro. Nas gravações, ele afirmava que seria preso caso Lula (PT) vencesse e tentava convencer parentes a votar em Bolsonaro, usando argumentos políticos e pessoais.
O discurso do medo e a tentativa de influenciar votos

Em mensagens enviadas a familiares durante o período eleitoral, Mauro Cid dizia temer por sua segurança e alegava que seria vítima de uma prisão injusta caso o PT voltasse ao poder. “Eu sei que eu vou ser preso se o Lula voltar”, afirmava, reforçando que serviria de “bode expiatório” e que não teria apoio de ninguém. Para ele, sua prisão seria consequência direta da vitória petista.
Além disso, Cid apelava para a emoção dos familiares, citando perseguição política e afirmando que conhecia o funcionamento do Estado “por dentro”. Dizia ainda que o Brasil “não aguentaria mais um governo do PT” e citava valores trilionários supostamente desviados durante os anos anteriores — sem apresentar qualquer prova.
Esses áudios, revelados por uma coluna do UOL, mostram uma tentativa clara de influenciar politicamente parentes, promovendo Bolsonaro e demonizando um possível retorno de Lula à presidência.
Desinformação, cartão corporativo e declarações sem provas
Cid também usava informações sensíveis para tentar reforçar sua posição de proximidade e confiança com Bolsonaro. Em uma das mensagens, ele afirma que estava com o cartão corporativo do presidente e que Bolsonaro “nunca usou um centavo” do benefício, tentando construir uma imagem de honestidade.
Em outro trecho, chega a dizer que, se não conseguisse deixar o país, seria preso e o Brasil viraria “uma Venezuela”. As mensagens misturam desinformação, alarmismo e tentativas de manipulação, traçando um retrato de alguém que se via ameaçado com a troca de governo.
De aliado fiel a delator
Mauro Cid foi preso em maio de 2023, acusado de envolvimento em fraudes nos registros de vacinação. A investigação, no entanto, se ampliou: ele passou a ser investigado por desvios de joias e por envolvimento em articulações de golpe de Estado.
Meses depois, aceitou um acordo de delação premiada e revelou que Bolsonaro discutiu com militares de alta patente um plano para tentar impedir a posse de Lula. As gravações divulgadas agora reforçam o clima de tensão e as estratégias adotadas por figuras próximas ao ex-presidente para tentar evitar sua derrota.
[Fonte: Terra]