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Ciência

Se seu gato fizer isso em um dia quente, não trate como um comportamento normal

Gatos podem passar horas ao sol sem demonstrar desconforto, mas isso não significa que estejam protegidos contra o calor. Alguns sinais discretos podem indicar que a situação mudou.
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Tempo de leitura: 4 minutos

É fácil imaginar que um animal que procura constantemente lugares quentes seja naturalmente preparado para suportar o verão. Os gatos, afinal, adoram deitar perto de janelas ensolaradas e encontrar os cantos mais aquecidos da casa. Mas existe uma diferença importante entre gostar de calor e conseguir lidar com temperaturas excessivas. Quando o ambiente ultrapassa determinado limite, o comportamento do gato pode mudar — e alguns sinais merecem atenção imediata.

O lugar onde ele escolhe deitar pode dizer bastante

Muitos gatos se sentem confortáveis em temperaturas próximas de 24 °C a 27 °C. Quando começam a sentir calor demais, animais saudáveis normalmente tentam encontrar maneiras de reduzir a própria temperatura.

É comum que procurem sombra, pisos frios, banheiros ou superfícies como azulejos e banheiras. Alguns simplesmente se esticam completamente sobre o chão, aumentando a área do corpo em contato com uma superfície mais fria.

Esses comportamentos fazem parte das estratégias naturais utilizadas para perder calor. O problema surge quando o ambiente está quente demais ou quando o animal não consegue encontrar um local adequado para se refrescar.

Gatos idosos, animais com determinados problemas de saúde e aqueles que não têm acesso a ambientes frescos podem apresentar maior vulnerabilidade.

Também existe uma diferença importante entre gatos que vivem dentro de casa e aqueles que passam boa parte do tempo ao ar livre. No ambiente doméstico, é mais fácil controlar ventilação, sombra e disponibilidade de água. Já do lado de fora, a falta de um local protegido pode fazer a temperatura corporal subir rapidamente.

E existe um comportamento específico que merece atenção especial.

Quando o gato começa a fazer algo que normalmente não faria

Cães costumam ofegar para ajudar a controlar a temperatura corporal. Em gatos, porém, o comportamento é muito menos comum.

Por isso, encontrar um gato ofegante, especialmente em um ambiente quente, não deve ser encarado simplesmente como uma maneira normal de se refrescar.

Se isso acontecer, a recomendação é levá-lo para um local fresco, oferecer água e ajudá-lo a diminuir gradualmente a temperatura. Se o ofegamento persistir ou vier acompanhado de outros sintomas, é importante procurar atendimento veterinário rapidamente.

Fraqueza, desorientação, vômitos e gengivas muito avermelhadas estão entre os sinais que podem indicar que o animal está sofrendo mais do que aparenta.

Outro risco é o carro. Mesmo que a temperatura externa não pareça extrema, o interior de um veículo estacionado pode esquentar muito rapidamente. Deixar um gato dentro de um carro fechado pode, portanto, transformar uma situação aparentemente comum em uma emergência potencialmente fatal.

O mesmo cuidado vale para animais que vivem ao ar livre: sombra permanente e água fresca não são detalhes, mas necessidades básicas durante períodos de calor intenso.

Superaquecimento1
© Magnific

O verão também traz um problema que não aparece na temperatura

O calor não é o único perigo associado à exposição prolongada ao Sol.

Gatos brancos ou com pelagem muito clara podem sofrer queimaduras solares, principalmente em regiões onde existe pouca proteção de pelos. As pontas das orelhas, o nariz e áreas próximas aos olhos estão entre os locais mais expostos.

Vermelhidão, dor, inchaço, bolhas ou sangramento podem indicar lesões provocadas pela radiação solar e justificam avaliação veterinária.

Já quando existe suspeita de superaquecimento, o atendimento rápido se torna ainda mais importante. Se o gato continua apresentando sinais de hipertermia mesmo depois de ser levado para um ambiente fresco, ele deve ser avaliado por um veterinário.

Dependendo da gravidade, o tratamento pode envolver fluidos intravenosos para combater a desidratação e ajudar a controlar a temperatura corporal. Também podem ser necessários exames para verificar se órgãos internos foram afetados.

Casos mais graves podem exigir hospitalização.

O que parece apenas calor pode se transformar em uma emergência

Um episódio intenso de superaquecimento não termina necessariamente quando a temperatura do animal começa a baixar. A hipertermia associada à desidratação pode provocar alterações na coagulação e lesões em diferentes órgãos.

Os rins e o cérebro estão entre as estruturas que podem sofrer consequências importantes. Em situações graves, podem ocorrer insuficiência renal, alterações neurológicas e até convulsões.

É justamente por isso que o comportamento habitual dos gatos pode enganar. O fato de um animal procurar lugares quentes ou gostar de tomar sol não significa que ele seja capaz de suportar temperaturas elevadas indefinidamente.

A diferença está nos sinais.

Se durante um dia quente o gato começa a ofegar, fica fraco, confuso ou apresenta vômitos, já não se trata simplesmente de um animal procurando uma posição confortável. Esses sintomas podem indicar que seu organismo está tendo dificuldade para controlar a própria temperatura — e a situação pode exigir atendimento veterinário com urgência.

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