A próxima missão tripulada do programa lunar da NASA já começa a revelar detalhes curiosos do cotidiano no espaço. Enquanto engenheiros continuam resolvendo ajustes técnicos antes do lançamento, a agência espacial divulgou como será a alimentação da tripulação durante a missão.
Quatro astronautas viajarão a bordo da cápsula Orion na missão Artemis II, um voo de aproximadamente dez dias ao redor da Lua que servirá como preparação para o retorno humano à superfície lunar.
Diferentemente da Estação Espacial Internacional, a Orion não possui sistema de refrigeração nem espaço amplo de armazenamento. Isso significa que todos os alimentos da missão precisam ser estáveis por longos períodos e seguros para consumo em microgravidade.
Alimentos não perecíveis são essenciais para a missão
“[@NASA] Artemis II uses a fixed, pre-selected menu designed for a self-contained space vehicle with no resupply.” https://t.co/yQLQXG9rgd pic.twitter.com/v1Bt5fsQmD
— Patricia Vargas (@PatriciaIVargas) March 4, 2026
A ausência de refrigeração é um dos principais desafios para o planejamento do cardápio espacial.
Segundo a NASA, os alimentos escolhidos precisam resistir ao armazenamento prolongado e, ao mesmo tempo, reduzir riscos dentro da nave. Em microgravidade, pequenas partículas ou migalhas podem flutuar e causar problemas técnicos ou até serem inaladas pelos astronautas.
Esse risco não é apenas teórico. Em missões espaciais antigas, alimentos como sanduíches chegaram a criar dificuldades justamente por produzir migalhas que se espalhavam pela cabine.
Por isso, a escolha dos alimentos prioriza formatos que não se desintegrem facilmente e que possam ser consumidos de forma segura em um ambiente sem gravidade.
Tortilhas, granola e até molhos picantes
Apesar das limitações, o cardápio da missão Artemis II será mais variado do que o das primeiras viagens espaciais.
Entre os alimentos previstos estão granola, castanhas, amêndoas e uma grande quantidade de tortilhas — cerca de 58 unidades, que funcionarão como base para várias refeições.
As tortilhas são preferidas no espaço justamente porque não produzem migalhas como o pão tradicional.
Os astronautas também terão uma seleção de condimentos para dar mais sabor às refeições. O menu inclui diferentes tipos de molho picante, além de itens como mel, mostarda, manteiga de amendoim, xarope de bordo e canela.
Para quem gosta de algo doce, também haverá chocolates, biscoitos, pudins e pequenos bolos.
Bebidas limitadas, mas com variedade
O cardápio também inclui cerca de dez opções de bebidas.
Entre elas estão café, chá verde, limonada e cacau. Mesmo assim, a quantidade disponível será controlada. Cada astronauta terá direito a duas bebidas saborizadas por dia.
Essa limitação existe por causa das restrições de massa da missão. Cada quilograma transportado ao espaço tem impacto direto no desempenho do foguete e no consumo de combustível.
Por isso, alimentos e bebidas precisam ser cuidadosamente selecionados para oferecer nutrição adequada sem aumentar excessivamente o peso total da nave.
Como as refeições são preparadas no espaço
Durante os dez dias de missão, os astronautas seguirão uma rotina com café da manhã, almoço e jantar, mesmo sem qualquer possibilidade de reabastecimento.
Grande parte dos alimentos viajará praticamente pronta para consumo.
Alguns produtos serão reidratados com água usando um dispensador da nave, enquanto outros poderão ser aquecidos em um pequeno aquecedor portátil semelhante a uma maleta térmica.
Os alimentos utilizados nas missões espaciais podem ser classificados em diferentes categorias: prontos para consumo, reidratáveis, termoestabilizados ou irradiados. Cada método ajuda a garantir segurança alimentar durante toda a missão.
Da pasta em tubos aos menus espaciais modernos
A alimentação no espaço evoluiu muito desde os primeiros voos tripulados.
Durante as missões do programa Apollo, os astronautas tinham opções bastante limitadas. Muitos alimentos eram consumidos em forma de pastas armazenadas em tubos metálicos ou em pequenos cubos desidratados.
Um exemplo histórico foi o astronauta John Glenn, o primeiro norte-americano a se alimentar em órbita. Ele relatou que comer em microgravidade era relativamente fácil, mas o cardápio disponível era bastante restrito.
Hoje a situação mudou. Em missões mais longas, como na Estação Espacial Internacional, astronautas podem até receber ocasionalmente alimentos frescos enviados por missões de abastecimento.
Ainda assim, muitos relatam que o sabor da comida no espaço é diferente, já que a microgravidade pode alterar a percepção do paladar.
Quando a missão Artemis II deve acontecer

Enquanto os detalhes da missão continuam sendo definidos, equipes da NASA seguem trabalhando no foguete e na nave Orion.
O lançamento da missão foi adiado diversas vezes e agora está previsto para ocorrer não antes de abril, embora novas datas ainda estejam sendo avaliadas.
Quando finalmente decolar, a Artemis II será a primeira missão tripulada do programa Artemis e marcará um passo importante no plano de levar astronautas novamente à Lua.
E entre testes tecnológicos e manobras orbitais, uma coisa é certa: até mesmo no espaço profundo, a rotina de comer bem continua sendo essencial para manter a tripulação saudável e preparada para a jornada.
[ Fonte: DW ]