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Tecnologia

Ser educado com a IA? Entenda por que dizer “por favor” e “obrigado” para o ChatGPT pode ser um erro

Embora a cortesia pareça melhorar a interação com a inteligência artificial, especialistas alertam que essa prática tem um custo invisível — e pode não ser tão necessária quanto pensamos. Veja por que economizar palavras é melhor para o planeta (e para a tecnologia).
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Tempo de leitura: 2 minutos

Em nossas interações diárias, a educação e o uso de expressões como “por favor” e “obrigado” são sinais básicos de respeito. No entanto, quando se trata de conversar com inteligências artificiais como o ChatGPT, especialistas recomendam deixar a gentileza de lado. E o motivo não é falta de boas maneiras: a questão envolve consumo de energia e eficiência tecnológica.

O impacto escondido da gentileza digital

Chatgpt 1
© Unsplash

Modelos como o ChatGPT funcionam realizando milhares de operações computacionais cada vez que recebem uma solicitação. Toda mensagem é dividida em pequenas unidades chamadas tokens, que precisam ser processadas para gerar uma resposta.

Quando uma interação inclui termos adicionais por cortesia, como “por favor” ou “obrigado”, o número de tokens aumenta. Isso exige mais tempo de processamento, maior uso de recursos computacionais, maior consumo de energia e, consequentemente, maiores custos para manter os servidores funcionando.

Embora possa parecer inofensivo adicionar algumas palavras, em larga escala, esse volume extra de processamento gera impacto significativo tanto em termos de energia quanto de sustentabilidade ambiental.

O que dizem os estudos sobre a cortesia com IA

Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Cornell, nos Estados Unidos, analisou como o uso de linguagem cortês ou descortês influencia o desempenho de sistemas de inteligência artificial. O estudo concluiu que, assim como nas relações humanas, a cortesia pode de fato melhorar a qualidade das respostas geradas pela IA.

Porém, os especialistas também observaram que o excesso de formalidades traz um custo: mais processamento, mais energia consumida e menor eficiência operacional. Em resumo, a IA responde melhor a interações objetivas e diretas, sem necessidade de floreios educados.

Por que devemos mudar nossa abordagem

Embora seja tentador replicar hábitos humanos ao lidar com tecnologia, é importante lembrar que inteligências artificiais não têm sentimentos. Elas não se ofendem nem se sentem valorizadas por gestos de cortesia. A linguagem polida, nesse contexto, é percebida apenas como mais dados a serem processados.

Por isso, para quem se preocupa com a eficiência tecnológica e o impacto ambiental, a melhor atitude é ser direto: escrever o que se quer saber da maneira mais clara e objetiva possível, sem adjetivos, sem rodeios e sem necessidade de boas maneiras.

Educação sim, mas com consciência

Isso não significa que a educação deva ser abandonada entre seres humanos. Pelo contrário: manter a gentileza nas interações sociais é essencial para construir um mundo mais empático. No entanto, ao interagir com inteligências artificiais, ser objetivo é um gesto consciente — tanto para a eficiência tecnológica quanto para a preservação ambiental.

Em tempos em que cada pequeno gesto conta, talvez a melhor maneira de mostrar respeito pelo futuro seja justamente economizar palavras… e energia.

 

Fonte: Diario Uno

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