O céu nunca esteve tão povoado. No dia 19 de outubro de 2025, o lançamento batizado de “Starlink 11-19” marcou um marco histórico: com 28 novos satélites adicionados, a SpaceX alcançou oficialmente a impressionante marca de 10.006 unidades em órbita. Em apenas seis anos, a empresa de Elon Musk construiu uma rede que representa hoje 65% de todos os satélites ativos no planeta.
Dez mil satélites, mas nem todos ativos
Apesar do número recorde, nem todos permanecem em operação. Dos mais de 10 mil lançados desde 2019, cerca de 8.680 continuam em órbita, dos quais 7.448 funcionam ativamente. Os mais antigos ou que apresentaram falhas já reentraram na atmosfera.
Ainda assim, o peso de Starlink é avassalador: entre os 54 mil objetos atualmente catalogados em órbita — incluindo detritos e restos de foguetes — um em cada seis pertence à rede da SpaceX.
Da fase de testes ao Starlink v2 Mini
A constelação começou com dois protótipos, Tintin A e B, em 2018. Pouco depois vieram os primeiros 60 satélites da versão v0.9, seguidos pelas versões v1.0 e v1.5, que consolidaram a rede inicial com satélites de cerca de 300 quilos.
Em 2023, a SpaceX deu um salto técnico com os modelos v2 Mini, bem mais robustos (730 kg) e equipados com propulsores de efeito Hall alimentados por argônio. Essa inovação barateou os custos e ampliou a eficiência, permitindo inclusive comunicação direta com dispositivos móveis. Mais de 5 mil desses satélites já estão ativos, enquanto a empresa prepara a versão v3, que será lançada pelo foguete Starship.
Com mais de 7 milhões de usuários no mundo, o Starlink oferece velocidades médias de 80 Mbit/s e tornou-se um dos serviços de internet via satélite mais competitivos do mercado.
Conectividade, mas também estratégia militar
O impacto do Starlink não se limita ao setor civil. Durante a guerra da Ucrânia, a rede foi usada em comunicações táticas, demonstrando seu valor estratégico. O Pentágono, impressionado, passou a desenvolver a constelação Starshield, baseada na tecnologia da SpaceX, para uso militar seguro.
Para Musk, isso abre um mercado bilionário: o da defesa e da infraestrutura crítica, onde a conectividade espacial é peça-chave.

Os riscos de um céu saturado
O sucesso, contudo, traz consequências. Astrônomos alertam que a expansão massiva do Starlink altera o céu noturno e aumenta a poluição visual e radioelétrica. O risco de colisões também cresce conforme a órbita baixa fica mais congestionada.
Com mais de 300 lançamentos quase impecáveis, o Falcon 9 provou ser confiável, mas a pergunta persiste: até que ponto é seguro encher a órbita com dezenas de milhares de satélites sem regulamentação internacional clara?
O futuro do espaço próximo
A SpaceX planeja ampliar a constelação para 30 mil satélites até o fim da década. Mais do que uma empresa, o Starlink já é uma infraestrutura global que une conectividade, negócios militares e poder tecnológico.
O dilema agora é maior: deve uma única companhia privada ter tamanho controle sobre o espaço que pertence a toda a humanidade?
Enquanto o mundo debate, a SpaceX continua lançando foguetes, e o céu, definitivamente, já não é o limite.