Durante sua curta trajetória, a Starship tem sido sinônimo de ousadia e risco. Explosões, falhas estruturais e testes extremos marcaram cada etapa de sua evolução. Agora, com o aval da Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, a SpaceX aposta no décimo voo para demonstrar que aprendeu com os erros e que está pronta para avançar em direção ao redesenho final de seu projeto mais ambicioso.
Uma semana para o décimo lançamento
O voo está previsto para 24 de agosto e promete colocar em prática experimentos decisivos. Entre eles, a abertura da escotilha de carga e o reacionamento de um motor em pleno vácuo espacial. Além disso, a SpaceX removeu de forma proposital parte das placas do escudo térmico, com o objetivo de avaliar o comportamento da nave durante a reentrada na atmosfera.
O Super Heavy Booster 16, por sua vez, tentará um pouso controlado no Golfo do México. O teste simulará a falha de um dos motores de aterrissagem, forçando o uso de um motor reserva para finalizar a manobra. Se for bem-sucedido, esse procedimento reforçará a confiabilidade do sistema.
Explosões que viraram aprendizado
O nono voo de teste, em maio, terminou em destruição do Booster 14 e da Starship 35, resultado de problemas estruturais e vazamentos de metano. Já em junho, a Starship 36 explodiu durante abastecimento em Starbase, gerando até repercussões na fronteira mexicana.
Em vez de recuar, a SpaceX transformou cada falha em ajuste técnico: redesenhou difusores, reforçou protocolos de inspeção e revisou materiais pressurizados. Este décimo voo é a oportunidade de provar que as correções implementadas resistem às condições reais.

O desafio da Ship 37
A protagonista desta vez será a Ship 37. Ela deverá abrir sua escotilha para liberar réplicas de satélites Starlink, acionar um motor Raptor em órbita e enfrentar uma reentrada projetada para pressionar ao máximo seus flaps traseiros. Além disso, serão testados novos materiais, como metal refrigerado ativamente, em áreas críticas do escudo térmico.
O peso do redesenho
A SpaceX planeja apenas dois voos adicionais com o modelo atual antes de migrar para a Starship 3. Essa versão contará com aletas 50% maiores, pensadas para suportar manobras mais ousadas e servir de ponto de captura para a torre de lançamento. Trata-se de um redesenho voltado à reutilização em larga escala.
O que acontecer em 24 de agosto será mais do que um ensaio: será o último grande exame antes da chegada da terceira geração da Starship. Um voo que pode consolidar a visão de Elon Musk ou repetir os erros do passado — decidindo, em grande parte, o futuro imediato da conquista espacial da SpaceX.