Tecnologia inovadora e parceria estratégica
A tecnologia do provador virtual foi inteiramente desenvolvida pela Doris, que conta com uma equipe de 70 especialistas em inteligência artificial. Com um investimento inicial de US$ 20 milhões, a startup passou quatro anos aperfeiçoando a solução antes de lançá-la no mercado no ano passado.
O diferencial da tecnologia é oferecer aos consumidores uma experiência prática e inovadora. Ao visitar uma loja física, o cliente pode simplesmente inserir sua altura, tirar uma foto pelo aplicativo e visualizar como a peça ficará no corpo. Já no ambiente digital, o provador virtual permite testar diferentes looks com alta precisão, facilitando a decisão de compra sem necessidade de provar fisicamente as roupas.
A solução chamou a atenção da Nvidia, líder global em chips e semicondutores voltados para inteligência artificial. Nesta segunda-feira, a Doris e a gigante americana oficializam uma parceria que tornará o provador virtual ferramenta oficial da loja da Nvidia. A estreia acontecerá no GTC 2025, principal evento da empresa, onde os visitantes poderão testar a tecnologia e até experimentar virtualmente a clássica jaqueta preta do CEO Jensen Huang.
Após o evento, o provador permanecerá na loja da Nvidia no Vale do Silício, funcionando como um case prático do potencial da IA no varejo.
Como funciona o provador digital?
A solução da Doris é pioneira no uso de inteligência artificial generativa para criar modelos digitais personalizados dos consumidores. Desde o início, a tecnologia foi desenvolvida utilizando GPUs da Nvidia, o que possibilitou uma evolução significativa na precisão e rapidez da ferramenta.
— Basta tirar duas fotos de perfil uma única vez para começar a visualizar as roupas no próprio corpo, tanto na parte superior quanto na inferior, combinando diferentes peças — explica Marcos de Moraes, CEO e fundador da Doris. — A Nvidia busca exemplos tangíveis da aplicação da IA, e nosso provador digital se tornou um caso concreto desse potencial. Estamos orgulhosos dessa conquista.
Expansão internacional e impacto global
Apesar de a parceria com a Nvidia ser um marco importante, a startup já vinha expandindo sua presença global. No Oriente Médio, a Doris fechou um acordo com o Grupo Abuissa, no Catar, para instalar o provador digital em shopping centers da região.
— Em países como a Arábia Saudita, até recentemente, mulheres não podiam usar provadores em lojas físicas. Nossa tecnologia permite que elas experimentem virtualmente as roupas em seus celulares, garantindo privacidade e conveniência — destaca Moraes.
No Brasil, a Doris já colabora com marcas renomadas como Aramis, Reserva, Vans, Decathlon e Track&Field. A Nike também testa a tecnologia em lojas físicas brasileiras, oferecendo totens interativos e QR Codes para digitalizar o processo de prova.
O objetivo da Doris é resolver um problema comum no e-commerce: a alta taxa de devoluções. Dados do setor indicam que apenas 2% dos visitantes de sites de moda finalizam uma compra, e muitas devoluções ocorrem devido ao caimento inadequado das peças. Com assertividade de 96% a 97%, o provador digital da Doris já demonstrou potencial para reduzir significativamente esse problema.
Investimento e futuro da experiência de compra
O investimento inicial de US$ 20 milhões na Doris foi feito pelo próprio fundador, que acredita no potencial transformador da solução. Com a expectativa de atingir o break-even em três anos, a startup agora busca investidores para acelerar sua expansão internacional.
Moraes é um empreendedor experiente. Ele fundou a Sagatiba, marca vendida à Campari por US$ 26 milhões em 2011, e a Zip.net, uma das primeiras grandes startups brasileiras, adquirida pela Portugal Telecom por US$ 365 milhões nos anos 2000.
Para ele, o e-commerce tradicional está ultrapassado. O futuro do varejo é o experience commerce, um modelo interativo e personalizado. A visão da Doris é ir além do provador digital e transformar a tecnologia em um assistente de moda inteligente, capaz de sugerir combinações de looks e recomendar peças alinhadas ao estilo de cada usuário.
— Estamos criando uma nova forma de comprar roupas, onde a experiência digital é totalmente integrada ao desejo do consumidor. Esse é o futuro do varejo — conclui Moraes.
Fonte: Epoca Negocios