Nos anos 90, poucas febres infantis foram tão marcantes quanto o Tamagotchi. O pequeno bichinho virtual da Bandai rapidamente se tornou companheiro inseparável de crianças do mundo todo, exigindo atenção, cuidados e paciência para crescer saudável. Mesmo décadas depois, a franquia não só permanece viva, como segue conquistando fãs, com novas versões e uma legião de colecionadores em busca de raridades que marcaram uma geração inteira com seu charme nostálgico.
O que é e como funciona o Tamagotchi
O Tamagotchi é um pequeno dispositivo eletrônico que cabe na palma da mão e exibe, em uma tela LCD, um bichinho virtual que depende do dono para viver. Alimentar, brincar, cuidar da higiene e colocá-lo para dormir fazem parte da rotina diária. Se o bichinho ficar doente, remédios virtuais precisam ser administrados.
O objetivo é manter o pet feliz e saudável até a fase adulta. Caso seja negligenciado, ele pode até morrer, tornando o cuidado constante essencial. O dispositivo, que lembra um ovo colorido com botões, foi criado pela Bandai e lançado no Japão em 1996, chegando rapidamente a outros países, incluindo o Brasil em 1997.
O nascimento de uma febre mundial
A ideia do Tamagotchi surgiu quando Akihiro Yokoi, então presidente da Wiz Co., percebeu que crianças não podiam levar seus animais de estimação para todos os lugares. A solução seria um pet digital portátil. Em parceria com a Bandai, o conceito foi desenvolvido e lançado inicialmente como um chaveiro, embora a ideia original fosse de um relógio de pulso.
O sucesso foi imediato: lojas nos Estados Unidos relataram estoques esgotados em poucas horas. Em pouco tempo, o brinquedo se tornou fenômeno global, com milhões de unidades vendidas e marketing voltado principalmente ao público feminino, mas conquistando meninos e meninas. No Brasil, rapidamente se tornou parte da rotina das crianças entre 1997 e 1998.
O impacto no Brasil e as versões alternativas
O preço elevado e a dificuldade de importação fizeram muitos brasileiros recorrerem às versões alternativas. Entre elas, o Rakuraku Dinokun foi o “Tamagotchi de camelô” mais popular. Ele funcionava de maneira semelhante ao original, mas tinha formato diferente e mais botões. Até mesmo o Dinokun ganhou cópias piratas, que também fizeram sucesso.
O fenômeno era tão grande que surgiram versões oficiais inspiradas em franquias famosas, como Toy Story, e o brinquedo rapidamente virou símbolo da década. O Tamagotchi não só divertia, como também introduzia noções de responsabilidade ao ensinar crianças a cuidar de seu bichinho digital.
Tamagotchi hoje: nostalgia e colecionismo

Mesmo após perder espaço para videogames portáteis e smartphones, o Tamagotchi nunca desapareceu. A Bandai continua lançando novos modelos, incluindo versões modernas em formato de relógio de pulso, que unem nostalgia e tecnologia. Em 2023, o modelo mais recente chegou ao mercado, mostrando que a marca segue forte quase três décadas depois.
Além disso, o bichinho virtual ganhou um mercado de colecionadores, que buscam desde edições clássicas até lançamentos raros. Paralelamente, diversas imitações continuam disponíveis em lojas online, mantendo viva a experiência de criar e cuidar de um amigo digital, tal como nos anos 90.
[ Fonte: CNN Brasil ]