O agronegócio brasileiro enfrenta um novo desafio no mercado internacional. A decisão do ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar tarifas elevadas sobre produtos importados impacta diretamente exportações brasileiras. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) estima perdas significativas e cobra do governo brasileiro uma resposta diplomática firme para mitigar os danos e preservar a competitividade do setor.
Redução drástica nas exportações
A medida anunciada por Trump pode causar uma queda considerável nas exportações de dois dos principais produtos agropecuários do Brasil. No caso do suco de laranja, a tarifa subirá dos atuais 5,9% para 15,9%. Com isso, o volume exportado aos Estados Unidos, que em 2023 alcançou cerca de 1 bilhão de litros, deve despencar para 261 milhões de litros.
Já a carne bovina, que atualmente é tributada em 33%, passará a ter uma alíquota de 43%. A previsão é de que as exportações brasileiras recuem de 73 mil toneladas para 45 mil toneladas. Além desses, outros produtos como cana-de-açúcar, álcool, arroz e feijão também serão afetados.
CNA defende negociação e rejeita retaliação imediata
Diante do novo cenário, a CNA divulgou nota pedindo ao governo federal que intensifique os esforços diplomáticos com os Estados Unidos. A entidade enfatiza a importância de evitar retaliações prematuras e recomenda o uso da recém-aprovada Lei da Reciprocidade (PL 2088/2023) apenas após o esgotamento das vias de negociação.
“A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil defende o livre comércio com acordos que diversifiquem mercados, aumentem a renda do produtor rural e ampliem o acesso aos consumidores internacionais”, reforçou a entidade.
Impactos comerciais e números do setor
De acordo com a CNA, os Estados Unidos ocupam a terceira posição no ranking de destinos das exportações agropecuárias brasileiras, atrás apenas da União Europeia e da China. Em 2024, o volume exportado ao mercado norte-americano somou US$ 12,1 bilhões.
Nos últimos dez anos, a participação dos EUA na pauta do agronegócio brasileiro oscilou entre 6% e 7,5%. Entre os principais produtos exportados estão:
- Café verde
- Celulose
- Sucos de laranja
- Carne bovina in natura
- Madeira perfilada
- Açúcar bruto de cana
- Obras de marcenaria
- Carne bovina industrializada
- Madeira compensada
- Sebo bovino
Setores mais vulneráveis
A CNA também destacou que os produtos mais impactados pelas tarifas são justamente aqueles nos quais o Brasil é líder absoluto nas exportações para os EUA. É o caso dos sucos de laranja refrigerados e congelados, que representam 90% e 51% das compras norte-americanas, respectivamente.
Outro exemplo é a carne bovina termoprocessada, responsável por 63% das importações dos EUA, e o etanol, com 75% de participação brasileira nesse mercado. Como o Brasil é o principal fornecedor desses produtos, o aumento das tarifas pode inviabilizar sua competitividade, já que há pouco espaço para substituição por concorrentes.
Caminhos possíveis
A CNA alerta que o protecionismo norte-americano, caso se intensifique, poderá afetar não só o Brasil, mas também outros grandes exportadores do setor. A entidade teme que novas tarifas possam ser implementadas caso os Estados Unidos considerem que as atuais medidas não são suficientes para reduzir o déficit comercial.
Nesse cenário, o fortalecimento de alianças comerciais com outros países e blocos econômicos ganha ainda mais relevância, além da busca por novos mercados para compensar as perdas no mercado americano. A manutenção do diálogo diplomático, segundo a CNA, é essencial para proteger o agronegócio nacional e preservar milhões em exportações.
[Fonte: O Tempo]